Como Dissica Calderaro blinda Parintins contra o assédio da Globo
Transmissão dos bois representa passaporte para disputar grandes contratos, prestar serviços de produção para parceiros internacionais e posicionar a emissora em um novo patamar
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas em Parintins
Publicado em: 28/06/2026 às 10:12 | Atualizado em: 28/06/2026 às 10:34
O presidente do grupo Globo, João Roberto Marinho, desembarcou este ano em Parintins para assistir de perto ao maior espetáculo cultural da Amazônia. Sua presença na ilha não passou despercebida pelo mercado de comunicação. Depois de transformar as cunhãs-porangas Isabelle Nogueira, em 2024, e Marciele Albuquerque, em 2026, em estrelas do BBB, a maior emissora do país demonstra, mais uma vez, mostra que o Festival de Parintins voltou ao radar estratégico da televisão brasileira.
Mas, se a Globo voltou os olhos para os bois, encontrou um adversário disposto a defender esse patrimônio da comunicação amazonense.
À frente da TV A Crítica, Dissica Calderaro decidiu enfrentar a disputa não pelo tamanho da empresa, mas pela capacidade de inovar. Em vez de esperar uma proposta das grandes redes, investiu milhões em tecnologia, estruturou uma das mais sofisticadas operações de transmissão do país e transformou o Festival de Parintins na vitrine da evolução técnica da emissora.
A estratégia vai muito além de garantir os direitos de transmissão. Ela busca tornar a TV A Crítica indispensável para o próprio festival.
Enquanto o interesse nacional crescia, a emissora amazonense consolidava a transmissão nativa em 4K pelo YouTube, integrava televisão aberta, streaming, aplicativo, rádio e redes sociais em uma única operação e levava praticamente toda sua programação para Parintins durante a semana do evento.
O investimento também impressiona pelo porte. A TV A Crítica colocou em operação uma unidade móvel considerada uma das mais modernas do Brasil, capaz de produzir imagens em ultra-alta definição diretamente do Bumbódromo. Para qualquer emissora, transmitir um espetáculo com a complexidade técnica de Parintins representa um dos maiores desafios de engenharia de televisão. Para Dissica Calderaro, tornou-se uma oportunidade de provar que uma empresa instalada na Amazônia pode entregar um padrão tecnológico compatível com o exigido pelos maiores grupos de mídia do mundo.
Foi exatamente essa visão que apareceu na entrevista concedida ao BNC Amazonas.
Olhar estratégico
Ao afirmar que o Festival de Parintins serviu para homologar definitivamente a nova estrutura tecnológica da empresa, Dissica deixou claro que a carreta de transmissão não foi adquirida apenas para cobrir os bois.
Ela representa o passaporte da TV A Crítica para disputar grandes contratos, prestar serviços de produção para parceiros internacionais e posicionar a emissora em um novo patamar dentro do mercado audiovisual.
O movimento tem uma simbologia ainda maior.
Durante décadas, os grandes produtos culturais brasileiros precisavam passar pelo eixo Rio-São Paulo para alcançar projeção nacional. Dissica Calderaro fez o caminho inverso. Em vez de entregar Parintins às grandes redes, investiu para que o mundo chegasse a Parintins através da Amazônia.
A disputa, portanto, não é apenas pelos direitos de transmissão.
É pela narrativa.
Quem conta Parintins para o Brasil? Quem conhece seus rituais, seus tempos, sua rivalidade, seus artistas e sua cultura?
Ao responder essas perguntas com tecnologia, investimento e presença permanente na ilha, a TV A Crítica construiu uma vantagem competitiva difícil de copiar. Não basta comprar os direitos do festival; é preciso compreender sua alma.
Talvez seja justamente esse o maior desafio imposto por Dissica Calderaro às gigantes da televisão brasileira.
Ele mostrou que, quando o assunto é Parintins, o centro da transmissão não precisa estar no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Pode estar, e continua estando, na Amazônia.
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“Viva a cultura popular, viva o boi de Parintins”!
Foto: BNC Amazonas
