COP-30: movimentos do AM denunciam problemas urgentes em Marcha Global

A Marcha Global pelo Clima, em Belém, reuniu 30 mil pessoas e líderes do Amazonas, com a ministra Marina Silva e Sônia Guajajara defendendo a COP-30 como um evento de implementação para zerar o desmatamento.

Gabriel Ferreira, enviado do BNC Amazonas à COP-30

Publicado em: 15/11/2025 às 12:55 | Atualizado em: 15/11/2025 às 15:03

Movimentos sociais e indígenas do Amazonas estiveram presentes entre as mais de 30 mil pessoas na Marcha Global pelo Clima, realizada em Belém (PA), em um clamor por “justiça climática” e “fim dos combustíveis fósseis na Amazônia”.

A marcha de 4,5 km saiu do Mercado de São Brás até a Aldeia Cabana como parte da programação da Cúpula dos Povos, que contou com a participação das ministras Marina Silva, do Meio Ambiente, e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas.

Durante discurso no trio central da marcha, Marina Silva fez um chamado para que a COP-30 seja da “implementação” com a prioridade do fim da exploração e uso de combustível fóssil.

“Nós temos que fazer o mapa do caminho para a transição, para o fim da dependência de carvão, de petróleo e de gás. É fundamental que o mundo dê demonstração de que vamos, sim, adaptar. […] Nosso compromisso é desmatamento zero”, disse a ministra.

Para Sônia Guajajara, a Amazônia se tornou o centro do debate global, e a marcha é a “zona azul da COP-30”.

“Nós, povos indígenas, que sempre estivemos aqui, nos juntamos neste momento para receber o mundo. Chegou a vez da Amazônia falar para o mundo. Chegou a vez aqui de encontrarmos o Cerrado, a Mata Atlântica, o Pampa, o Pantanal, a Caatinga, que estão sendo igualmente destruídos. É por isso que aqui se torna, neste momento, a zona azul da COP-30, onde se encontram os guardiões e as guardiãs da vida”, disse.

Entre as mais de 65 lideranças do mundo inteiro, estava Beto Marubo, membro da União dos Povos do Vale do Javari (Univaja). Ao BNC Amazonas, ele disse que os recursos para financiamento e proteção dos povos da floresta existem, mas precisam chegar até essas populações.

“O problema é que esse recurso, além de não ser transparente, vai parar nas grandes corporações ambientalistas. Então, isso precisa chegar na ponta. Devido a essas burocracias, aos privilégios, aos contatos privilegiados que essas organizações têm”, disse.

Além disso, Beto Marubo destacou que pequenas organizações ambientalistas que “fazem um trabalho de fato, não conseguem” os recursos de financiamento.

“Lá no Vale do Javari está nesse contexto. E que haja mais transparência e mecanismo para que os povos indígenas possam ter autonomia de se somar ao esforço que já têm feito nas últimas décadas”, afirmou.

Do movimento “Vida Sim, Lixo Não”, o professor da rede pública Aniceto Barroso, do município de Iranduba, zregião metropolitana de Manaus, denunciou o projeto de construção de um aterro sanitário privado pela empresa Norte Ambiental para atender cinco municípios: Manaus, Iranduba, Manacapuru, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva.

Ele disse que “querem transformar Iranduba em um lixão” e “contaminar o rio Amazonas”.

“Está em perigo o rio Amazonas, um rio internacional que banha toda a Amazônia. Esse rio pode ser contaminado com lixos tóxicos que estão sendo previstos para Iranduba […] Eles pretendem jogar lá de 3 mil a 6 mil toneladas de lixo por dia. É um absurdo reunir dezenas de municípios para jogarem lixo dentro desse município que fica praticamente entre o Rio Solimões e o Rio Negro. Esses dois rios contaminados contaminariam o Rio Amazonas a partir de lá”, denunciou o professor.

Fotos e vídeo: Gabriel Ferreira