Crimes ambientais viram negócio de facções na Amazônia
Estudo revela mudança no perfil do crime organizado, que agora aposta na exploração ilegal de recursos naturais e intensifica conflitos na região
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 13/04/2026 às 06:57 | Atualizado em: 13/04/2026 às 06:57
Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública acendeu um alerta sobre a nova dinâmica do crime organizado na Amazônia.
De acordo com o estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2025, facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital passaram a tratar crimes ambientais como peça-chave em suas estratégias de expansão, financiamento e consolidação de poder.
A pesquisa aponta uma mudança significativa no perfil das atividades criminosas na região. Se antes o foco principal estava na disputa por rotas do tráfico de drogas, agora as organizações avançam sobre a exploração clandestina de recursos naturais, como garimpo ilegal e extração de madeira, incorporando essas práticas à sua engrenagem econômica.
Segundo o estudo, ao menos três municípios do Amazonas já registram a atuação direta dessas facções com foco em crimes ambientais: Humaitá, Lábrea e Manicoré.
Além do impacto ambiental, o avanço dessas organizações agrava conflitos socioambientais e aumenta a vulnerabilidade de comunidades tradicionais e povos indígenas. A presença das facções, segundo os pesquisadores, altera a dinâmica local e impõe novas formas de controle territorial.
Para a pesquisadora sênior do Fórum, Ariadne Natal, a estratégia das facções está diretamente ligada à cadeia do tráfico.
“Essas organizações chegam à Amazônia com interesse estratégico em controlar a cadeia do tráfico de drogas direto da produção. Ao se inserirem na economia ilegal local, passam a explorar outras possibilidades, como o garimpo, que permite reinvestir e lavar o dinheiro obtido com o tráfico”, explica.
O estudo também destaca que o enfraquecimento de órgãos de fiscalização ambiental e de proteção indígena, sobretudo a partir de 2018, contribuiu para a expansão dessas atividades ilícitas.
Além da exploração direta, as facções passaram a cobrar taxas sobre atividades ilegais em áreas sob seu domínio, consolidando um modelo de controle econômico e territorial.
O cenário, segundo especialistas, representa um novo desafio para as autoridades, que agora enfrentam um crime organizado mais diversificado, enraizado na economia ilegal da floresta e com impactos diretos sobre o meio ambiente e a segurança das populações locais.
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Foto: divulgação TV Brasil
