Dnit-AM faz contrato milionário com empresa ligada a golpistas
Órgão firma contrato milionário para manutenção da BR-317 no Amazonas com empresa acusada de financiar atos golpistas .
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 11/09/2025 às 20:39 | Atualizado em: 12/09/2025 às 11:13
O Diário Oficial da União deste dia 11 de setembro (quinta-feira) traz em sua edição ato revelador do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), no Amazonas.
Trata-se da homologação do contrato milionário com a construtora Meirelles Mascarenhas, do Pará, no valor de R$ 168,7 milhões, para a manutenção de 110,7 quilômetros da BR-317.
A obra, que abrange a ligação entre Boca do Acre, no Amazonas, e a divisa com o estado do Acre, visa otimizar a trafegabilidade e a segurança na rodovia.
O pregão eletrônico nº 90316/2024-01, em que a Meirelles Mascarenhas Ltda venceu, ocorreu no ano passado e retificado no Diário Oficial em 31 de março de 2025. Agora, aconteceu a homologação.
De acordo com a superintendência do Dnit Amazonas, o processo licitatório, no valor de R$ 168,7 milhões, no entanto, gerou uma economia de R$ 7.036.695,98 para os cofres públicos, o equivalente a um desconto de aproximadamente 4%.
“A homologação da contratação demonstra a continuidade dos esforços do DNIT em assegurar a conservação da infraestrutura de transporte federal no Amazonas. A obra é vista como um passo importante para a melhoria da malha viária na região, beneficiando o trânsito local e o acesso a outros estados”, afirma o superintendente do Dnit Amazonas, Orlando Fanaia Machado.
Atos golpistas
A publicação do contrato milionário, pelo Dnit Amazonas, com a construtora Meirelles Mascarenhas, vem a calhar justamente no dia da condenação do ex-presidente Bolsonaro e demais réus por tentativa de golpe de Estado, formação de quadrilha e outros crimes.
Isso porque a construtora vencedora do pregão público foi acusada de financiar os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A CPMI do Congresso Nacional, por exemplo, chegou a pedir a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático da Meirelles Mascarenhas.

“Como se não bastasse, o herdeiro da empresa, Albert Alison Gomes Mascarenhas, esteve no trágico dia e proferiu palavras de ordem incentivando os golpistas a subirem a rampa deste Congresso Nacional, como retratam os vídeos públicos nas redes sociais”, diz o requerimento assinado pelo líder do governo, senador Randolfe Rodrigues (PT-AM).
“Bora subir, gente, bora subir. Sou covarde não, vamos lá!”, teria dito Albert Mascarenhas ao avançar o gramado do Congresso naquela tarde de domingo de 8 de janeiro de 2023.
No entanto, o herdeiro da Meirelles Mascarenhas sequer foi chamado para depor na CPMI do Congresso. Tampouco foi indiciado nem condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Campeã em contratos
E prosseguiu senador Randolfe Rodrigues:
“A bem da verdade, sabe-se que referida empresa manteve, ao longo do mandato do ex-presidente Bolsonaro, relação íntima com o governo, sendo a campeã de contratos para obras da antiga gestão”, ressaltou o senador.
Nos quatro anos da gestão Bolsonaro, a construtora Meirelles Mascarenhas fechou ao menos R$ 793 milhões em contratos com a União (55% a mais do que nos quatro anos anteriores).
Ligações com a Amazônia
A construtora tem forte presença nos estados da Amazônia Legal. Em 2020, a Meirelles Mascarenhas ganhou projetos para a recuperação de trechos da rodovia Transamazônica e da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho – obras de grande impacto ambiental e localizadas no arco do desmatamento na Amazônia.
Em 2022, a companhia assinou três contratos com a Superintendência Regional do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) no Amapá para a manutenção e recuperação de estradas federais, totalizando R$ 314 milhões.
A Meirelles Mascarenhas também já ganhou licitação para recuperar a BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, em Roraima.
Foto: Reprodução/Redes Sociais
