Editora Valer publica nova obra sobre a cosmogonia do povo Tariano

A obra "O universo sagrado Banco do Pajé: ritual, cerimônia e vida" inaugura uma coleção dedicada a difundir a cosmogonia e a força do pensamento indígena.

Publicado em: 01/05/2026 às 12:11 | Atualizado em: 01/05/2026 às 12:13

O universo sagrado Banco do Pajé: ritual, cerimônia e vida, de Ismael Tariano, é o primeiro da Coleção Mahsise: O Pensamento Indígena, publicado pela editora Valer. Esta é uma das suas mais importantes obras, no mesmo patamar de Antes o mundo não existia, de Firmiano Arantes Lana e Luiz Gomes Lana, e Gaapi: uma viagem por esse e por outros mundos, de Jaime Diakara. A obra será lançada no dia 9 de maio de 2025, às 10h, no Salão Verde da Valer Teatro, Largo São Sebastião.

Pela perspectiva dos indígenas da etnia Tariano, a obra traz à luz a cosmogonia desse povo, habitante do Alto Rio Negro, bem como nos dá a conhecer a prática do sopro e do benzimento, rituais sagrados de cura de um povo que mantém uma relação fundida com o divino.

São os Filhos do Sangue do Trovão que deixam a si a incumbência de narrar as palavras sagradas proferidas pelos seus demiurgos, com os quais é dado dialogar, por meio dos escolhidos.

É a mais pura relação cósmica entre o terreno, a Mãe Terra, e o divino, os deuses, que hoje, após as suas partidas, passaram a habitar no Alto.

Nesta obra, também é delimitado um espaço para as mulheres, as que, astuciosamente, roubaram as flautas sagradas, permitidas somente aos homens. Esse roubo nos transporta para a compreensão da unidade, ainda que divergente, do Cosmo. É uma forma pela qual as mulheres se inserem no mundo, formando o Todo necessário para a existência na Terra.

É uma obra capital, fundadora de uma coleção que tem como um dos seus objetivos trazer até a sociedade brasileira a força divina, sagrada, de povos que habitam esse planeta e que são donos de um pensamento essencial para o pensamento universal.

Para Neiza Teixeira, coordenadora editorial, a publicação dessa Coleção é uma contribuição que não se pode mensurar para o pensamento universal. Ela contribui para a construção do Pensar Novo, que garantirá a continuidade do pensamento e da espécie humana.

Sobre o autor

Ismael Pedrosa Moreira é indígena do povo Tariano, licenciado em Filosofia Social e pós-graduado em Gestão Escolar.

Foi dirigente do Movimento Estudantil Indígena do Amazonas (Meiam) e da Organização Indígena da Amazônia Brasileira (Coiab).

Desde 2020, atua como educador social no município de São Gabriel da Cachoeira, exercendo o cargo de diretor de departamento.

Sendo um dos fundadores da Coiab (1988) em Manaus, promoveu e participou, especialmente entre os anos de 2004 e 2006, de diversas ações sociais, como a formação de professores Yanomami e o ensino bilíngue Yanomami/Português, no município de Santa Isabel do Rio Negro.

Foi bolsista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com a pesquisa Busca de Identidade, entre 1998 e 1999, e do programa Adveniat Bischofliche Aktion (Alemanha), pelo qual obteve licenciatura em Ensino Religioso, entre 2001 e 2002; publicou os trabalhos Mitologia Tariana (1994) e Contos Banco do pajé e lendas mitológicas do povo Tariano (2001).

Segue aprofundando os estudos sobre a cosmologia do Tariano e lutando pela autonomia dos povos indígenas por meio da Sustentabilidade e da Educação.

Foto: Divulgação