Empresários compram 3 mil hectares de floresta no Amazonas
Área em Rio Preto da Eva entra em modelo de economia verde sob risco regulatório.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 07/01/2026 às 13:26 | Atualizado em: 07/01/2026 às 13:26
Um grupo de investidores adquiriu 3 mil hectares de floresta nativa no município de Rio Preto da Eva, na região metropolitana de Manaus, no Amazonas, com a proposta de manter a vegetação preservada e transformar a área em um ativo econômico vinculado à chamada economia verde.
O imóvel foi comprado por cerca de R$ 5 milhões e não prevê desmatamento nem exploração produtiva convencional.
A estratégia está ancorada na monetização de serviços ambientais, como créditos de carbono, conservação da biodiversidade e monitoramento climático, em um mercado que cresce globalmente impulsionado por metas de neutralidade de emissões e compromissos ambientais de empresas e governos.
Segundo projeções divulgadas pelos idealizadores, a floresta poderia gerar receita anual de até R$ 7,5 milhões, desde que os instrumentos financeiros associados à preservação sejam estruturados e reconhecidos pelo mercado voluntário de carbono e por mecanismos internacionais de certificação.
Suspensão de projetos de carbono
Publicações recentes apontam que a suspensão de projetos de crédito de carbono no estado não partiu de uma estratégia de fortalecimento ambiental, mas de uma decisão administrativa que acabou contrariando interesses do próprio Governo do Amazonas.
A medida interrompeu iniciativas que vinham sendo tratadas como parte da agenda econômica e climática estadual, gerando insegurança jurídica e desalinhamento institucional.
O episódio evidenciou fragilidades na governança ambiental e expôs contradições entre o discurso oficial de valorização da floresta em pé e a ausência de um marco regulatório estável que dê previsibilidade a projetos ambientais de longo prazo.
Na prática, investidores e iniciativas privadas ficaram expostos a mudanças abruptas de regras, o que afeta diretamente a atratividade econômica da Amazônia legal.
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Economia verde sob pressão regulatória
O caso de Rio Preto da Eva ilustra um dilema central da Amazônia contemporânea: ao mesmo tempo em que a floresta preservada passa a ser tratada como ativo econômico estratégico, a falta de coordenação institucional e de segurança normativa transforma projetos ambientais em apostas de alto risco.
Especialistas alertam que, sem regras claras, transparência e proteção ambiental rigorosa, a financeirização da floresta pode não apenas afastar investimentos sérios, como abrir espaço para disputas políticas, judicialização e uso oportunista do discurso verde, sem ganhos concretos para o meio ambiente ou para a população local.
A matéria completa pode ser conferida no site do Diário da Região.
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Foto: arquivo/Secom
