Escritores roraimenses anunciam 1ª Bienal do Livro de Boa Vista 2028

Evento pretende reunir escritores, artistas e leitores de Roraima e de outros estados da Região Norte, com palestras, oficinas e atividades culturais

Escritores roraimenses anunciam 1ª Bienal do Livro de Boa Vista 2028

Wilson Nogueira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 20/07/2026 às 19:27 | Atualizado em: 20/07/2026 às 19:27

Os escritores de Roraima marcaram para o segundo semestre de 2028 a realização da 1ª Bienal do Livro de Boa Vista, uma iniciativa de autores independentes, leitores e demais segmentos artísticos.

A curadora literária Márcia Iuly explicou que nos próximos dois anos a organização evento vai captar recursos públicos e privados, convidar escritores nacionais e comercializar seus espaços com editoras.

A projeto da bienal, segundo ela, começou em 2025, com a participação dos escritores na Feira do Coreto, na praça Cívica (centro de Boa Vista), organizada com o apoio da prefeitura local.

“No próximo ano estaremos habilitados a participar dos editais públicos com exigência de atividades de contrapartida previstas para 2028”, disse Márcia.

Com a bienal, os escritores e agitadores culturais roraimenses almejam promover a literatura, os escritores e estimular a produção de livros.

A programação privilegiará a aproximação entre escritores e leitores por intermédio de palestras, oficinas literárias e outras atividades culturais.

Márcia disse que a ideia dos organizadores do evento é reunir o maior número possível de participantes dos estados nortistas.

“Precisamos unir nossas forças para fazer para dar visibilidade e criar mercado para os nossos artistas”, acentuou a curadora literária.

Ao menos 70 escritores, artistas plásticos, quadrinistas e artesãos estão na lista de potenciais participantes da bienal.

Agenda cultural

O encontro dos artistas roraimense ocorre aos domingos na Feira do Coreto, das 9h às 14h, por onde passam ao menos mil pessoas. O único empecilho para que ela não ocorre é a chuva, pois espaço é a céu aberto.

Um dos expositores assíduos é Wille Rilke, autor de poesia e prosa. Nesse sábado, ele lançou os livros “Entre prosas e mais risos” e “Poemas, poementos e outros rabiscos apimentados”, na livraria Boa Vista, no Roraima Garden Park Shopping.

No sábado, ele apresentou as duas obras aos leitores no coreto.

“Esse é o trabalho do poeta: levar a sua poesia ao público leitor, cuja finalidade é proporcionar prazer e reflexão por meio da palavra”.

O prefaciador e poeta Edgar Borges recomenda a obra com uma revelação.

“Sou um escritor de posa e verso que aqui encontrou poemas que gostaria de que gostaria de ter escrito, que até crio às vezes, mas apenas oralmente, sem registrar nem publicar”.

Pétira Santos, poeta, autora de livros infantojuvenis e artesã também é ativista da sua área. Ela conquistou prêmios de reconhecimento literário no Brasil, nos Estados Unidos e Europa, mas só as viagens lhes impedem de estar na feira.

Em março do ano passado, Pétira participou, a convite, da feira de livros de Londres.

“Levei na bagagem o que pude para divulgar a cultura do nosso estado”, afirmou.

No seu livro “A magia de Makunaima” (Literarte), com tradução para a língua inglesa, já foi roteirizado em filme e HQ. Ela mesma faz as ilustrações do livro e o boneco Makunaima.

Makunaima é avatar do mito cosmológico do povo macuxi, ao qual Pétira pertence, popularizado no Brasil pelo escritor Mário de Andrade como Macunaíma, protagonista do livro “Macunaima: um herói sem nenhum caráter”.

A trajetória de “A inacreditável história do milho gigante”, de Aldenor Pimentel, também atravessou as fronteiras do país.

O escritor transformou um cordel, de sua autoria, em livro para crianças e roteiro de cinema. Com o filme, ele foi premiado em um festival da Índia.

A escritora Joseane Vieira, ao lado de Márcia Iuly, colabora com a organização e divulgação de atividades culturais de Boa Vista, com destaque para os livros, leitores e escritores.

Ela administra a página “Totalmente literatura”, no Istagram, que presta serviços e comenta livros com humor, graça e reflexão folosófica.

“A proposta é mostrar que aqui se faz arte de qualidade que precisa ser conhecida pelo público do Brasil e do exterior”, disse Roseane.

Mangá

Na Feira do Coreto, Davi Ygor ensina a arte mangá, história em quadrinhos de origem japonesa, para crianças a partir de 6 anos. O foco dele é bem definido: formar mangakás para concorrem a prêmios de concursos no Brasil e no Japão.

No país dos mangás existem ao menos 20 competições anuais abertas a todo o mundo.

O mangá se diferencia do quadrinho por ser lido da direita para esquerda e apresentar os desenhos em preto e branco, no geral.

Os desenhos podem ser explorados em diversos estilos e línguas. Nos concursos japoneses, porém, são exigidos o japonês ou o inglês, ou ainda sem textos, para facilitar a participação de artistas que não falam as duas línguas, mas dominam a linguagem do mangá.

Ygor realiza oficinas nas escolas Lobo D’Almada e América Sarmento, em parceria com a prefeitura e apoio da Associação Nipo-Roraimense, entidade que fomenta a cultura japonesa em Roraima.

Fotos: Wilson Nogueira/BNC Amazonas