Estudo aponta gargalos da crise na segurança pública do Amazonas

O estado está atrás de Rondônia e Tocantins, no Norte, pressionado pelo crime organizado

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 18/05/2026 às 17:15 | Atualizado em: 18/05/2026 às 17:21

Olha aí uma agenda importante que os pré-candidatos ao governo do Amazonas precisam levar em conta, na hora de montar os seus programas de governo: a segurança pública.

Isso porque um estudo da plataforma CPL.org.br mostra que o Amazonas ainda enfrenta dificuldades estruturais de segurança pública, quando comparado a outros estados que mais evoluíram, nesse quesito, no país entre 2023 e 2025.

O levantamento integra o ranking de competitividade dos estados e mede tanto a situação atual quanto a evolução recente dos indicadores de segurança pública.

Os dados revelam que o Amazonas aparece na 4ª posição da região Norte, atrás de Rondônia, Tocantins e Amapá.

No caso amazonense, o estudo aponta que o estado ainda convive com obstáculos estruturais pesados, como: atuação intensa de facções criminosas, rotas internacionais do narcotráfico, dificuldade de policiamento em áreas remotas, grandes distâncias territoriais e baixa presença estatal no interior.

No panorama nacional, Santa Catarina, Paraíba e São Paulo aparecem como os estados mais bem posicionados em segurança pública em 2025. Já no recorte de evolução recente, os maiores avanços foram registrados por Rio Grande do Sul, Goiás e Sergipe.

Esses estados conseguiram melhorar indicadores de forma consistente, combinando redução de violência, fortalecimento institucional, ampliação da capacidade operacional e maior eficiência das políticas públicas.

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Destaques regionais

O Rio Grande do Norte se destaca por combinar intensidade de melhora e amplo alcance dos avanços, enquanto Goiás aparece como o principal destaque do Centro-Oeste. Rondônia, por sua vez, combina melhora forte com um ganho expressivo de posição na dimensão.

Também se observam casos de melhora mais concentrada do que disseminada. Sergipe e Tocantins, por exemplo, aparecem com nota alta mesmo sem estarem entre os estados com maior percentual de indicadores em melhora, sugerindo avanços mais localizados, porém relevantes.

Na outra ponta, Ceará e Mato Grosso do Sul apresentam crescimento mais limitado, com menor proporção de indicadores em melhora real e nota final abaixo do grupo líder.

Em baixa

O levantamento também mostra estados que perderam competitividade ou seguem em situação mais delicada, especialmente por dificuldades estruturais, avanço das facções e baixa capacidade de resposta estatal.

Entre os estados que aparecem em situação mais vulnerável estão: Pará, Bahia, Pernambuco, Amapá e Rio de Janeiro.

O estudo destaca que muitos desses estados enfrentam:
• alta violência letal;
• expansão do crime organizado;
• crise no sistema prisional;
• dificuldade de interiorização das forças de segurança;
• baixa continuidade das políticas públicas.

Leia o ranking completo

Avanços no Norte

O estudo também chama atenção para um movimento relevante: estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste passaram a concentrar parte importante das melhorias recentes nos indicadores de segurança. Rondônia e Tocantins aparecem entre os destaques da Região Norte.

Assim, Rondônia alcançou: a 4ª colocação nacional, nota média de variação de 74,62. Já Tocantins chegou à 5ª colocação nacional com nota média de variação de 71,17.

O estudo aponta ainda que os estados que mais avançaram conseguiram combinar: redução consistente da criminalidade, fortalecimento institucional, melhoria de indicadores ao longo de vários anos e maior capacidade de resposta das forças de segurança.

Melhorias no Amazonas

No entanto, mesmo sem figurar entre os destaques nacionais, o Amazonas demonstra alguns sinais de melhora de acordo com o levantamento, houve avanços na ampliação de operações integradas com forças federais, fortalecimento do combate ao tráfico fluvial, aumento das ações de inteligência e maior integração regional na Amazônia Legal.

A conclusão do levantamento é que o Amazonas continua em posição estratégica no enfrentamento ao crime organizado amazônico, mas ainda precisa superar gargalos históricos para alcançar os estados que hoje lideram os indicadores de segurança pública no país.

Foto: divulgação