Filha de Chico Mendes defende COP-30 e Marina Silva dos ataques bolsonaristas

Ângela Mendes vê encontro em Belém como chance histórica de dar voz aos povos da floresta e critica violência política contra Marina.

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas*

Publicado em: 20/09/2025 às 11:32 | Atualizado em: 20/09/2025 às 11:36

Durante o festival Brésil en Mouvements, em Paris, a ativista Ângela Mendes, filha do líder seringueiro Chico Mendes, reforçou a defesa da COP-30 e saiu em apoio ao governo Lula e à ministra Marina Silva diante da ofensiva bolsonarista no Congresso contra as pautas socioambientais.

Convidada para debater o legado do pai, assassinado em 1988, Ângela ressaltou que, quase quatro décadas depois, a luta continua.

O documentário “Empate” (2019), exibido no evento, resgata a resistência dos seringueiros do Acre.

“Quase 40 anos depois do assassinato do meu pai, ainda precisamos resistir. O filme continua muito atual”.

Desafios para Lula e Marina

A menos de dois meses da COP-30 em Belém, Ângela reconheceu que o governo enfrenta um Congresso hostil às agendas ambientais.

“Nunca vi um governo com mais dificuldade de ser coerente com sua trajetória. Lula é pressionado por forças da extrema direita, e Marina Silva, uma mulher negra da Amazônia, sofre as piores violências dentro daquele Congresso”, afirmou.

A Amazônia no centro da COP

Para a presidenta do Comitê Chico Mendes, a realização da COP-30 no Pará é uma chance única de expor ao mundo as ameaças à floresta e dar protagonismo às populações tradicionais.

“A COP está acontecendo no melhor momento, no melhor lugar, para trazer aos olhos do mundo o que se passa na Amazônia — e não só na brasileira.”

Ela destacou ainda que o Brasil continua entre os países que mais matam ativistas ambientais, cobrando mudanças urgentes.

Críticas à União Europeia

Ângela também atacou as contradições da União Europeia, que, segundo ela, mantém discurso de preservação mas não garante apoio efetivo às comunidades amazônicas.

Ela lembrou que recursos antes destinados à região foram redirecionados para gastos militares em guerras como as da Ucrânia e de Gaza.

*Leia na íntegra no portal do UOL.

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Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados