Flutuantes do Tarumã: MP-AM pede à Justiça fiscalização da Marinha
Órgão cobra cumprimento de decisão que ordena retirada das estruturas por impacto ambiental
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 03/09/2025 às 15:00 | Atualizado em: 03/09/2025 às 15:00
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) solicitou à Justiça, nesta segunda-feira (1º de setembro), que a Capitania dos Portos realize fiscalização em todos os flutuantes instalados no Rio Tarumã-Açu, na zona oeste de Manaus. O objetivo é verificar a regularidade das licenças, as condições de segurança para navegação e o distanciamento adequado entre as estruturas.
O pedido do MP-AM está ligado a uma sentença de 2021 que determinou a retirada das embarcações devido ao impacto ambiental e à ocupação desordenada da região.
A promotora Lilian Maria Pires Stone, que assinou o documento, afirmou que uma “fiscalização detalhada” é essencial para dar efetividade à decisão e combater a poluição hídrica.
A ação judicial sobre os flutuantes já dura mais de 25 anos. Desde o início do processo, o número de estruturas passou de cerca de 40 para quase mil. Elas são usadas como bares, restaurantes, casas de veraneio, garagens náuticas e, em alguns casos, moradia. Segundo o MP-AM, essas construções “provocam poluição hídrica e visual”.
Em 2023, uma decisão judicial determinou a remoção gradual dos flutuantes, começando pelos de lazer. Porém, a Prefeitura de Manaus alegou dificuldades financeiras e operacionais, apontando custo de R$ 16 milhões e risco de encalhe durante o período de vazante. O juiz fixou multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.
No segundo semestre de 2023, atividades foram suspensas devido à estiagem, mas voltaram no início de 2024 com a subida do Rio Negro, mesmo com a ordem judicial e notificações da prefeitura.
Em junho de 2024, a desembargadora Joana Meirelles suspendeu a ordem de desmonte, citando risco de dano grave e alegações da Defensoria Pública do Amazonas de que muitos flutuantes servem como moradia e abrigam serviços essenciais.
Contudo, em dezembro de 2024, o TJAM derrubou a suspensão, determinando que interesses individuais e econômicos não se sobrepõem à proteção ambiental e ao interesse coletivo. Até hoje, a execução da sentença de 2021 permanece pendente, devido a limitações orçamentárias e recursos judiciais apresentados contra a decisão.
Leia mais em Segundo a Segundo.
Foto: Raphael Alves/TJAM
