Forças Armadas realizam operação em meio às ameaças de Trump
A Operação Ágata mobiliza mais de 1.600 militares na Amazônia para intensificar a vigilância das fronteiras e a assistência social.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 06/05/2026 às 18:20 | Atualizado em: 06/05/2026 às 18:20
O presidente Lula da Silva se encontra com Donald Trump, dos Estados Unidos, nesta quinta-feira (7/5), em Washington.
E a nação brasileira aguarda com expectativa os resultados dessa conversa que deve discutir, entre outros assuntos: o tarifaço, terras raras, minerais críticos, facções, narcoterrorismo da América Latina, guerras e paz.
Além disso, outra grande preocupação do Brasil, de suas autoridades e de seu povo é com o destino que os norte-americanos, ávidos por refundar uma nova ordem mundial, pretendem impor ao país, especialmente à Amazônia.
No entanto, o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores e dos comandantes das Forças Armadas, tem reiterado que o Brasil está vigilante a qualquer tentativa de invasão estrangeira, principalmente depois do que ocorreu na Venezuela.
A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, denominada “Operação Resolução Absoluta”, ocorreu em 3 de janeiro de 2026.
A ação envolveu bombardeios na capital Caracas e outras regiões, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores por forças especiais americanas, sob a acusação de narcoterrorismo.
Operação Ágata Amazônia
Mas, o governo brasileiro está mesmo de olho nessas intromissões norte-americanas não somente no Oriente Médio, Groelândia, México, Colômbia e Cuba, mas também se mostra preocupado com uma possível ocupação da Amazônia.
Por conta disso, mesmo sem fazer qualquer menção ao intervencionismo dos Estados Unidos nem qualquer alarde midiático, o Ministério da Defesa e as forças armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica – estão mobilizando, desde o final de abril, cerca 1.638 militares na operação Ágata Amazônia 2026.
Denominada de “Comando Conjunto Harpia”, a operação militar intensifica a presença do Estado brasileiro na faixa de fronteira da Amazônia e tem o objetivo é reforçar a soberania, combater ilícitos e levar cidadania a áreas remotas da região.
A operação Ágata Amazônia 2026 conta, ainda, com a participação de agentes da Polícia Federal, da Polícia Militar do Estado do Amazonas, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), ampliando o alcance das ações e contribuindo para maior efetividade no enfrentamento aos desafios da região.
“A iniciativa busca ampliar a capacidade de resposta do Estado diante de crimes ambientais e transfronteiriços, além de fortalecer a soberania nacional em áreas de difícil acesso e reforçar a assistência e apoio às populações indígenas e ribeirinhas da região”, diz o Ministério da Defesa.
Ações das forças armadas
A complexidade logística da operação exige o emprego coordenado de meios fluviais, terrestres e aéreos.
As forças terrestres (Exército) do comando Conjunto Harpia atuam no emprego de tropas totalmente especializadas em operações no ambiente de selva, com aeronaves de asa rotativa e sistemas avançados de monitoramento.

Já força naval (Marinha) do comando Conjunto Harpia atua com navios-patrulha fluviais, navios de assistência hospitalar, barca oficina, navio hidroceanográfico fluvial, embarcações blindadas, além de outros meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais, fundamentais para a navegação nos rios da região.
A Força de Operações Ribeirinhas do Comando Conjunto Harpia reúne cerca de 350 militares e emprega meios navais, aeronavais e de Fuzileiros Navais, realizando ações de controle fluvial, patrulhamento de navegação, vigilância e reconhecimento nos principais eixos hidroviários, além de ações humanitárias.
Guerra cibernética
Durante a operação, a FAB atua por meio da Força Aérea Componente (FAC), com o emprego de aeronaves de vigilância, reconhecimento, transporte e helicópteros.
Assim, a Força Aérea Brasileira realiza o controle do espaço aéreo com aeronaves de reconhecimento e defesa, apoiando as ações conjuntas em toda a área de operação.

A operação conta, ainda, com um Destacamento Conjunto de Guerra Cibernética, cuja principal função é executar ações de proteção do espaço cibernético contra ameaças.
Assistência social e hospitalar
Além das atividades de fiscalização e repressão, são realizadas ações sociais e de assistência hospitalar junto às comunidades locais, onde são ofertados atendimentos de saúde e serviços essenciais às comunidades indígenas e ribeirinhas, contribuindo para a promoção da cidadania em localidades remotas.
Essas ações são desenvolvidas pela Força Naval nos municípios ao longo do rio Negro. Militares da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, embarcados na Agência Escola Flutuante “Multirum” realizaram, entre os dias 27 e 29 de abril, o projeto “Capitania Itinerante” promovendo ações de fiscalização e serviços de regularização documental de condutores no município de Santa Isabel do Rio Negro (AM).
No dia 30 de abril, foi realizada a cerimônia de formatura do curso de Formação de Aquaviários de Marinheiro Auxiliar Fluvial de Convés e Máquinas. O curso profissionalizante formou 40 aquaviários que atuarão nas embarcações que navegam no Rio Negro e outras hidrovias da Amazônia.
“A ação cívico-social, realizada em parceria com a Câmara Municipal de Santa Isabel do Rio Negro, amplia o acesso ao Ensino Profissional Marítimo no interior do Amazonas e contribui diretamente para a segurança da navegação, a salvaguarda da vida humana e o desenvolvimento socioeconômico das comunidades ribeirinhas, que dependem das vias fluviais para seu sustento e trabalho, promovendo inclusão social e gerando empregos”, afirmou a Marinha em nota.
Por que Harpia?
O Comando Conjunto da Operação Ágata Amazônia 2026 foi denominado “Harpia” em alusão à ave de rapina símbolo da Amazônia, a Harpia (Harpia harpyja), conhecida por sua força, precisão e domínio sobre o território em que atua.
“A escolha do nome reflete o propósito da operação de intensificar a vigilância e a proteção das fronteiras e dos recursos naturais, com atuação firme, estratégica e integrada das Forças Armadas. Assim como a harpia exerce controle sobre o ambiente em que vive, o Comando Conjunto busca reafirmar a presença do Estado brasileiro na região amazônica, coibindo ilícitos e garantindo a soberania nacional com eficiência e imponência”, diz a nota do Ministério da Defesa.
*Com informações do Ministério da Defesa
