Amazonas entre os mais inadimplentes do Brasil com 58% de endividados

Com 2,54 milhões de negativados, o Amazonas enfrenta crise de inadimplência impulsionada por juros altos e uso do cartão de crédito.

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 23/04/2026 às 14:57 | Atualizado em: 23/04/2026 às 14:57

O Brasil atingiu um recorde histórico em fevereiro de 2026, somando 81,7 milhões de inadimplentes após 14 meses consecutivos de alta.

Nesse cenário, o estado do Amazonas e a região Norte aparecem em posição de alerta máximo, concentrando as maiores taxas de endividamento do país, de acordo com levantamento da Serasa Experian.

No Amazonas, a situação é crítica: 58,81% da população adulta do estado está inadimplente. Isso significa dizer que 2,54 milhões de amazonenses estão com o nome inscrito no Serasa.

Desse modo, o estado ocupa a quarta posição no ranking nacional de pessoas físicas com contas atrasadas, ficando atrás do Distrito Federal (62,11%) e Mato Grosso do Sul (58,83%).

Mas, a região Norte, como um todo, enfrenta dificuldades severas, com o estado do Amapá liderando o ranking nacional, onde impressionantes 64,27% de sua população adulta está endividada.

Outros estados nortistas também apresentam números elevados, como Tocantins (55,09%) e Rondônia (52,11%).

De acordo com analistas econômicos, a alta inadimplência na região está associada a fatores como renda média mais baixa, maior informalidade no mercado de trabalho e acesso limitado ao crédito estruturado, o que aumenta a vulnerabilidade financeira das famílias.

Ranking da inadimplência

O mapa da inadimplência de fevereiro de 2026 revela um abismo entre as regiões:

•           Estados mais inadimplentes: Amapá (64,27%), Distrito Federal (62,11%), Mato Grosso do Sul (58,83%), Amazonas (58,81%) e Rio de Janeiro (58,64%);

•           Estados com menores taxas: Santa Catarina (39,87%), Piauí (40,76%) e Espírito Santo (42,53%).

entra aqui o mapa com os inadimplentes por estado

Desafio estrutural

Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, explica que esse avanço reflete uma combinação de fatores:

“O período foi marcado por juros elevados e pressão inflacionária, que impactaram diretamente o orçamento das famílias”. Ela destaca ainda que a ampliação do acesso ao crédito ocorreu, muitas vezes, “sem o devido planejamento”, levando o consumidor a usar o recurso como complemento de renda.

Uma década de dívida

Um dado alarmante de um levantamento inédito da Serasa mostra que quatro em cada dez brasileiros que estão inadimplentes hoje já estavam com o nome negativado há uma década.

Portanto, o avanço da inadimplência não é recente. Em uma década, o número de brasileiros com contas em atraso cresceu mais de 38%, mostrando que o endividamento se tornou um problema persistente da economia nacional.

Hoje, quase metade da população adulta brasileira enfrenta algum tipo de restrição de crédito, com dívidas que somam centenas de bilhões de reais.

Cartão de crédito: vilão

Especialistas apontam que o uso do crédito para cobrir despesas básicas é um dos principais fatores por trás desse cenário.

O recorte das dívidas no cartão de crédito, mostrado pela CNN Brasil, é ainda mais drástico. No Amazonas, Pará, Maranhão e Goiás, o índice de inadimplência nesta modalidade supera os 10%.

Na prática, a cada R$ 1.000 emprestados, R$ 100 deixam de ser pagos.

O risco é alto, já que os juros do cartão podem chegar a 400%, encarecendo drasticamente a dívida.

O problema está associado a: juros elevados, uso para despesas básicas, efeito “bola de neve” do crédito rotativo.

A reportagem da CNN aponta que juros altos e falta de planejamento levam o consumidor a um ciclo contínuo de endividamento.

Perfil da inadimplência no Brasil

O Mapa da Inadimplência, divulgado pela Serasa Experian, mostra que:

•           A maior concentração de inadimplentes está entre 41 e 60 anos

•           O endividamento cresce mesmo em cenários de queda de juros

•           O problema já atinge quase metade da população adulta.

Outro dado relevante do levantamento da Serasa é o volume financeiro: as dívidas dos brasileiros ultrapassam R$ 539 bilhões e o valor médio por pessoa também aumentou.

De acordo com Aline Vieira, esse crescimento reforça o impacto direto da inadimplência na economia e no consumo das famílias.

Renegociação

“Negociar as dívidas é um passo fundamental, mas o acesso a condições facilitadas precisa vir acompanhado de informação e organização”, reforça Aline Vieira

Para enfrentar o problema, a Serasa promove o Feirão Limpa Nome, com descontos que podem chegar a 99%. Somente em fevereiro, foram fechados mais de 4 milhões de acordos, somando R$ 12,1 bilhões em descontos concedidos.

O valor médio dos acordos realizados foi de R$ 777. Atualmente, ainda existem mais de 620 milhões de ofertas disponíveis para negociação, totalizando cerca de R$ 1 trilhão em oportunidades de desconto.