Justiça suspende concurso de Urucurituba por ilegalidades
Decisão atendeu ao MP-AM, afastou nomeados e apontou vícios insanáveis nos editais de educação, saúde e administração.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 03/10/2025 às 20:04 | Atualizado em: 03/10/2025 às 20:06
A Justiça estadual determinou, nesta sexta-feira (3 de outubro), a suspensão imediata do concurso público realizado pela Prefeitura de Urucurituba em parceria com o Instituto Merkabah, sob os editais 2 (educação), 3 (saúde e assistência social) e 4 (administração), todos de 2023.
A decisão atendeu a pedido do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), que apontou múltiplas irregularidades no processo seletivo.
O juiz Gleildson Lima destacou que os certames foram abertos antes mesmo da vigência das leis que criaram os cargos e ordenou o afastamento imediato dos candidatos já nomeados e empossados, sob pena de multa diária de R$ 10 mil ao prefeito em caso de descumprimento.
Irregularidades apontadas
Segundo o MP-AM, o concurso apresentava vícios considerados insanáveis, como:
- • ausência de publicação dos editais no portal da transparência;
- • cobrança de taxa de inscrição de pessoas com deficiência;
- • descumprimento da reserva mínima de 20% das vagas para PCD;
- • restrição de apenas 11 das 60 vagas da guarda municipal para mulheres, prática já considerada inconstitucional pelo STF;
- • previsão de início da função antes da realização do curso de formação obrigatório para guardas.
Além disso, a promotoria apurou denúncias de favorecimento a candidatos ligados a autoridades locais.
Em junho deste ano, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) já havia considerado ilegal o edital 3, determinando sua anulação.
Posição do MP-AM
O promotor de Justiça de Urucurituba, Kleyson Barroso, classificou a decisão como “uma vitória para a legalidade e a moralidade administrativa”.
Ele ressaltou que concursos públicos devem respeitar os princípios da legalidade, isonomia e transparência.
“Não é possível admitir que um concurso seja realizado sem base legal, desrespeitando direitos de pessoas com deficiência, impondo limitações de gênero e ignorando recomendações ministeriais. A Justiça reconheceu a gravidade das ilegalidades e agiu para proteger o interesse público”.
Com a medida, o futuro do certame ficará definido apenas após o julgamento final da ação.
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Foto: reprodução/redes sociais
