MP-AM amplia investigação sobre vazamento de gás na ZFM
Inquérito passa a apurar danos ambientais, riscos à saúde e eventual responsabilização pelo acidente que parou parte do polo industrial de Manaus.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 23/07/2026 às 12:14 | Atualizado em: 23/07/2026 às 14:37
BNC | Caso Innova
O vazamento de monômero de estireno na fábrica da Innova, no distrito industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM), entrou em uma nova etapa neste dia 22 de julho. Depois da contenção da emergência, da retomada das atividades no entorno e do início da perícia técnica, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) instaurou inquérito civil para investigar os impactos ambientais, os riscos à saúde da população e dos trabalhadores e a eventual responsabilização pelo acidente.
A medida amplia o alcance das investigações sobre um dos mais graves incidentes químicos registrados nos últimos anos no polo industrial da ZFM.
Enquanto a Polícia Civil apura eventual responsabilidade criminal e a perícia da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) busca identificar tecnicamente as causas do acidente, o Ministério Público passa a avaliar os possíveis danos coletivos provocados pelo vazamento.
Investigação ganha nova dimensão
Com a abertura do inquérito civil, o MP-AM pretende reunir informações técnicas sobre o episódio, avaliar se houve impactos ambientais permanentes e verificar se as medidas adotadas pela empresa e pelos órgãos públicos foram suficientes para proteger trabalhadores, moradores e o meio ambiente.
Também deverão ser analisados o cumprimento das normas de segurança industrial, os protocolos de emergência utilizados e a necessidade de medidas para evitar novos acidentes envolvendo produtos químicos no polo industrial da ZFM.
A investigação ocorre paralelamente ao trabalho do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), que já aplicou multa administrativa de R$ 12,5 milhões à empresa por infração à legislação ambiental.
Emergência foi encerrada, mas o caso continua
No domingo (19), o Corpo de Bombeiros informou ter controlado totalmente a emissão do estireno após dias de resfriamento contínuo do tanque.
Monitoramentos realizados por bombeiros, defesa civil e técnicos da empresa não identificaram a presença do produto no ar das escolas e empresas vizinhas, permitindo o retorno das atividades na segunda-feira.
Apesar da normalização das atividades, o tanque permanece sob acompanhamento até sua completa desativação. O Ipaam segue fiscalizando a retirada do reservatório, o tratamento dos efluentes produzidos durante o resfriamento e a destinação ambientalmente adequada dos resíduos gerados durante a ocorrência.
Ao mesmo tempo, a perícia técnico-científica continua reunindo elementos para apontar a origem da reação química que provocou o incidente.
Há risco de explosão?
Essa é uma das perguntas mais frequentes entre trabalhadores do distrito industrial e moradores da capital.
Segundo as informações divulgadas até o momento pelos órgãos oficiais, não há indicação de risco iminente de explosão.
O Corpo de Bombeiros informou que a reação química foi controlada e que não existe mais emissão de estireno para a atmosfera. Além disso, inspeção realizada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM) não encontrou evidências aparentes de fissuras, trincas ou rachaduras que indiquem risco de rompimento do tanque.
Mesmo assim, as equipes permanecem no local por medida preventiva, acompanhando a desativação do reservatório e monitorando continuamente suas condições de segurança até sua retirada definitiva.
O que ainda falta responder
Embora a fase emergencial tenha sido encerrada, as principais perguntas sobre o caso continuam sem resposta:
- O que provocou a reação química no tanque?
- Houve falha operacional, de manutenção ou de projeto?
- O acidente deixou impactos ambientais permanentes?
- Trabalhadores ou moradores foram expostos a níveis prejudiciais de estireno?
- Os protocolos de segurança da empresa eram suficientes?
- A fiscalização pública era adequada?
- Quais mudanças serão adotadas para evitar novos acidentes semelhantes na Zona Franca de Manaus?
Essas respostas deverão surgir ao longo das investigações conduzidas pela Polícia Civil, pela perícia da SSP-AM, pelo Ipaam e pelo Ministério Público.
BNC acompanha
O BNC Amazonas acompanha o caso Innova desde o primeiro dia da emergência e seguirá monitorando todas as etapas das investigações técnicas, policiais, ambientais e judiciais, bem como as medidas de fiscalização e de prevenção que poderão ser adotadas após o maior incidente químico recente registrado no polo industrial da Zona Franca de Manaus.
BNC | Caso Innova — Linha do tempo
16 de julho — Vazamento de estireno mobiliza bombeiros e provoca a paralisação parcial do polo industrial da ZFM.
17 de julho — O Ipaam aplica multa de R$ 12,5 milhões à empresa por infração à legislação ambiental.
18 de julho — O Crea-AM vistoria o tanque e informa não haver sinais aparentes de risco estrutural de rompimento.
19 de julho — Bombeiros controlam totalmente a emissão do gás e monitoramentos confirmam ausência de estireno no ar.
20 de julho — A perícia da SSP-AM inicia os exames técnicos para identificar as causas do acidente.
23 de julho — O Ministério Público instaura inquérito civil para apurar danos ambientais, riscos à saúde e eventual responsabilização pelo episódio.
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Foto: reprodução/site Segundo a Segundo
