MPF fiscaliza rios indígenas no Amazonas e Taboca nega contaminação

Mineradora afirma que monitoramentos apontam qualidade da água dentro dos limites legais e diz colaborar com investigações

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 19/06/2026 às 14:53 | Atualizado em: 19/06/2026 às 14:53

A investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre possíveis impactos ambientais em rios da terra indígena Waimiri-Atroari, em Presidente Figueiredo, no Amazonas, ganhou um novo capítulo com a confirmação de uma vistoria técnica que será realizada pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

A fiscalização ocorre após denúncias de comunidades indígenas sobre alterações na qualidade da água em áreas próximas à operação da Mineração Taboca, responsável pela exploração de estanho no município de Presidente Figueiredo.

Conforme divulgado anteriormente pelo BNC Amazonas, o MPF instaurou procedimento para apurar relatos de contaminação em cursos d’água utilizados pelas comunidades indígenas.

A investigação busca identificar eventuais causas para as mudanças observadas nos rios e avaliar possíveis impactos ambientais e à saúde da população local.

Em nota, a Mineração Taboca informou ter sido notificada sobre a vistoria da ANM e afirmou que considera a ação “natural e legítima” no contexto das investigações em andamento.

A empresa declarou ainda que vem colaborando com os órgãos responsáveis, fornecendo informações técnicas e acesso às suas estruturas para a realização dos trabalhos de campo.

Segundo a mineradora, uma resposta formal foi encaminhada ao MPF em 7 de maio deste ano, dentro do prazo estabelecido, reiterando que não há, até o momento, comprovação de vínculo causal ou técnico entre as denúncias apresentadas e as atividades desenvolvidas pela companhia.

A empresa sustenta que os monitoramentos mais recentes da qualidade da água em pontos próximos às comunidades indicam resultados dentro dos parâmetros previstos pela legislação ambiental brasileira.

A vistoria da ANM deverá subsidiar as apurações conduzidas pelo MPF e poderá contribuir para esclarecer se há relação entre as alterações relatadas pelas comunidades e as atividades minerárias na região.

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O que diz a Taboca

“A Mineração Taboca foi notificada sobre uma vistoria a ser realizada pela Agência Nacional de Mineração (ANM) relativa a expedientes normais da agência e ao procedimento em curso pelo Ministério Público Federal do Amazonas. A empresa considera natural e legítima a realização de ações deste tipo por parte dos órgãos competentes no contexto de investigações em curso e segue colaborando integralmente com todas as autoridades, inclusive fornecendo dados e acesso às suas estruturas para que a vistoria seja conduzida com base em evidências técnicas.

A companhia destaca ainda que encaminhou resposta ao MPF-AM em 07 de maio de 2026, obedecendo ao prazo estabelecido pelo órgão e reiterando que, até o momento, não há relação causal ou técnica entre os fatos relatados e as suas operações. Os monitoramentos mais recentes realizados pela Taboca para verificação da qualidade das águas, em pontos diretamente relacionados às áreas de interesse das comunidades, indicam parâmetros dentro dos limites estabelecidos pela legislação ambiental.

A Taboca segue acompanhando o contexto relatado pelas comunidades e reconhece a importância de que os fatos sejam esclarecidos com base em evidências técnicas e científicas. Por fim, a empresa reafirma seu compromisso com a condução responsável de suas operações, o diálogo transparente com as partes interessadas e a colaboração integral com as autoridades”.

Foto: divulgação/PF