‘Seca dos rios ameaça sobrevivência da Zona Franca de Manaus’

O alerta consta no Plano Nacional sobre Mudança do Clima – Plano Clima lançado pelo governo do presidente Lula da Silva nesta segunda-feira, 16 de março, no Palácio do Planalto

Fábricas da ZFM podem parar sem navios com insumos

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 17/03/2026 às 17:12 | Atualizado em: 17/03/2026 às 17:13

A sobrevivência econômica da Zona Franca de Manaus (ZFM) depende de uma adaptação urgente à nova normalidade de rios extremamente baixos, que inviabilizam a navegação por meses.

O alerta consta no Plano Nacional sobre Mudança do Clima – Plano Clima lançado pelo governo do presidente Lula da Silva nesta segunda-feira, 16 de março, no Palácio do Planalto.

Segundo o documento, diferente de outros polos industriais, a ZFM é uma “ilha” cercada de floresta cuja conexão com o mundo depende das hidrovias.

O Plano Clima aponta que a redução drástica do nível dos rios impossibilita a navegação de grandes navios de carga, ao passo que as alternativas como transporte aéreo ou transbordo em balsas menores tornam os produtos de Manaus economicamente inviáveis.

O principal instrumento de planejamento para enfrentar a crise climática no país até 2035 cita como exemplo a estiagem ocorrida no estado entre outubro e novembro de 2023.

Naquele ano, o rio Negro atingiu o menor nível no último século (12,7 metros), provocando custos de mais de R$ 1 bilhão para a indústria local devido a impactos na cadeia de suprimentos.

Em 2023, a seca histórica transformou rios em bancos de areia, isolando mais de 600 mil pessoas e deixando comunidades sem acesso à água potável e a alimentos.

Desse modo, o plano sugere investimentos em monitoramento hidrológico e infraestrutura portuária resiliente para garantir que a ZFM continue operacional mesmo em períodos de estiagem severa.

Investimentos

Além do monitoramento, o plano propõe que indústrias locais acessem com projetos de adaptação instrumentos financeiros como o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima).

O Fundo Clima utiliza o BNDES como agente financeiro para apoiar projetos que visem a redução de emissões e, crucialmente, a adaptação a ameaças climáticas.

Também são citadas outras fontes como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e a Iniciativa Internacional para o Clima (IKI).

São recursos que já financiam projetos técnicos como o ProAdapta, que busca implementar ações de adaptação em polos industriais localizados em áreas vulneráveis como Manaus.

Para o Polo Industrial de Manaus (PIM) ainda é sugerido o acesso à Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos (BIP). Trata-se de uma iniciativa recente desenhada para escalar investimentos na transformação ecológica.

“No Amazonas, ela pode ser o veículo para financiar infraestruturas resilientes no PIM, como portos preparados para secas severas”, diz o documento.

O plano prevê também o fomento à pesquisa, pois parte do financiamento deve ir para o desenvolvimento de novos materiais e tecnologias de logística fluvial que resistam a variações extremas do nível dos rios.

Para o gestor ou investidor no estado, o plano sinaliza que o acesso ao crédito via BNDES e Plano de Transformação Ecológica (PTE) estará cada vez mais condicionado à apresentação de planos de adaptação territorial.

Assim, na ZFM o foco desses mecanismos deve ser o “reúso de água e a autoprodução de energia renovável (solar e biomassa), mitigando os riscos de interrupção operacional por secas”.

Foto: reprodução