STF cobra União e estados contra facções na Amazônia
Decisão de Flávio Dino aponta avanço do PCC e CV sobre crimes ambientais e exige reação urgente do poder público.
Publicado em: 19/04/2026 às 07:58 | Atualizado em: 19/04/2026 às 08:00
O Supremo Tribunal Federal (STF) elevou o tom contra o avanço do crime organizado na floresta e determinou que União e estados da Amazônia Legal adotem medidas imediatas de enfrentamento. A decisão é do ministro Flávio Dino, relator da ADPF 743.
No despacho, Dino afirma que facções como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) ampliaram seus negócios para além do tráfico de drogas e passaram a explorar garimpo ilegal, extração clandestina de madeira e grilagem de terras públicas.
Para o ministro, esses grupos usam crimes ambientais como fonte estratégica de dinheiro, domínio territorial e intimidação de comunidades locais.
No Amazonas, estudo citado na decisão aponta presença de facções em Lábrea, Humaitá e Manicoré, municípios pressionados pelo avanço de atividades ilegais.
Dino determinou operações conjuntas entre Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ibama e forças estaduais. Também mandou que os ministérios da Justiça, Defesa, Meio Ambiente e Povos Indígenas apresentem planos concretos em até 15 dias.
A decisão ainda cita a possibilidade de reforço militar em áreas de fronteira, inclusive com operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), se necessário.
Segundo o STF, a expansão dessas redes criminosas ameaça comunidades indígenas, ribeirinhas, a preservação ambiental e a soberania nacional sobre a Amazônia.
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Foto: Antonio Augusto/STF
