Venezuelana-brasileira é nova rainha de bateria da Reino Unido
Pesquisadora e atleta, Marisa Blanco representa a nova geração multicultural do samba manauara
Dassuem Nogueira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 12/11/2025 às 15:28 | Atualizado em: 12/11/2025 às 15:28
Natural da ilha de Margarita, no caribe venezuelano, Marisa Blanco chegou ao Brasil aos 5 anos de idade. Hoje, com 20 anos, ela, que tem dupla nacionalidade, foi eleita rainha da bateria da escola de samba Reino Unido da Liberdade, no último sábado, 8 de novembro.
Uma das belas provas de que Manaus tem se tornado uma capital multicultural.
O BNC Amazonas conversou com Marisa Blanco sobre sua interessante trajetória.
Ela não é uma musa do samba convencional. Antes de ser escolhida como rainha de um coração furioso – Furiosa é o apelido da bateria da Reino Unido – ela dividia sua vida entre a pesquisa e o tatame.
Leia a entrevista:
Como começou sua relação com as lutas marciais?
Comecei a treinar muay thai, onde pratiquei por um tempo e cheguei a ser graduada. Depois, surgiu o interesse pelo jiu-jitsu, que eu já havia experimentado um pouco na escola. No final do ano passado, decidi começar de verdade, e foi aí que realmente me encontrei. Costumo treinar de segunda a sábado, mas, por conta da faculdade, nem sempre consigo ir todos os dias. Em média, treino quatro vezes por semana. O jiu-jitsu é uma arte marcial acolhedora, que ajuda a aliviar o estresse e, além disso, me trouxe grandes amizades.
Você já competiu?
Sou faixa branca. Ainda não comecei a competir, mas tenho muita vontade de participar no futuro.

E como é sua trajetória no mundo da pesquisa?
Sempre trabalhei desde que saí do colégio. Entrei no hospital no final de 2024, trabalhando em uma empresa como jovem aprendiz. Depois de um tempo nessa função, surgiu a oportunidade de atuar como pesquisadora no HUGV (Hospital Universitário Getúlio Vargas), onde pesquiso pessoas que fazem hemodiálise. Neste ano, concluí meu primeiro projeto dentro do hospital, e já tenho outro aprovado para que eu possa desenvolver ao longo do próximo ano.
Sobre o que é seu projeto?
O que concluí neste ano era sobre o desenvolvimento e implementação do protocolo de avaliação e monitoramento do índice de hidratação de pacientes em hemodiálise para cálculo do peso seco. Faço educação física, na Ufam (Universidade Federal do Amazonas). Já saí do colégio aprovada no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Esse é um projeto de iniciação científica.
Qual sua relação com o mundo do samba?
Nunca fui de frequentar escolas de samba, mas, desde pequena, minha mãe, que é brasileira, me levava às rodas de samba. Sempre assistíamos juntas aos desfiles pela TV, minha mãe sempre foi de ir às festas nas quadras das escolas. Eu comecei a ir constantemente neste ano, quando meus amigos me apresentaram a esse universo. E, de primeira, foi uma energia surreal.
Como foi a decisão de se candidatar a rainha de bateria?
Quando minhas amigas me falaram sobre o concurso, abracei a oportunidade com o intuito de me divertir e contribuir com a escola. Além de amar o samba e me sentir bem. Poder estar na avenida e ter as portas da comunidade abertas para mim, este ano, tem sido um verdadeiro privilégio.
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Fotos: divulgação
