ZPE no Pará acende alerta no AM, mas não ameaça Zona Franca de Manaus

Especialistas descartam concorrência direta entre a nova ZPE do Pará e a Zona Franca de Manaus devido aos modelos econômicos distintos.

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 27/01/2026 às 19:06 | Atualizado em: 27/01/2026 às 19:07

O governo federal oficializou, na última sexta-feira (23 de janeiro), a criação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Barcarena, município localizado na região metropolitana de Belém, no estado do Pará.

A nova ZPE terá 271 hectares e foi aprovada em novembro de 2025 pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação. A empresa Bravo Metals Ltda. deverá instalar uma indústria voltada ao processamento de metais como platina, níquel e cobre.

O investimento estimado é de R$ 1 bilhão, com previsão de geração de 2.500 empregos na fase de implantação e cerca de 210 postos de trabalho diretos e indiretos durante a operação.

Segundo o governo federal, a iniciativa tem como objetivo atrair investimentos, estimular as exportações e aumentar a competitividade do Brasil no comércio internacional.

Isso porque Barcarena já é considerada um dos principais polos logísticos e industriais do Pará, com forte presença portuária e industrial.

ZPE x Zona Franca de Manaus

Desse modo, a nova ZPE der Barcarena, no Pará, levantou dúvidas entre empresários e trabalhadores do polo industrial de Manaus. Eles passaram a questionar se o novo polo industrial voltado à exportação pode representar concorrência direta ou prejuízo ao modelo que sustenta a economia do Amazonas há mais de cinco décadas.

E a resposta curta é: não há ameaça direta à Zona Franca de Manaus. Mas o tema exige atenção, sobretudo em um cenário de disputa por investimentos, logística e incentivos fiscais no Brasil.

Assim, especialistas e entidades do setor afirmam que não há concorrência direta entre os dois regimes.

Diferenças

A ZPE de Barcarena foi criada por decreto federal em janeiro de 2026 e tem como foco a instalação de indústrias voltadas quase exclusivamente à exportação, aproveitando a estrutura portuária do Pará.

Já a Zona Franca de Manaus é um modelo mais amplo de desenvolvimento regional, voltado principalmente ao mercado interno brasileiro.

Segundo a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), os regimes têm objetivos distintos.

“A Zona Franca de Manaus é um instrumento de redução das desigualdades regionais e de desenvolvimento da Amazônia Ocidental. As ZPE cumprem outro papel, ligado à política de exportação”, informou o órgão, em posicionamento institucional.

Investimento e logística

Para economistas do setor industrial, o risco não está na concorrência direta, mas na disputa por investimentos e logística.

“ZPE e ZFM não competem entre si. O desafio é garantir que a Zona Franca de Manaus continue atrativa e integrada às novas cadeias globais”, avalia um analista ouvido pela reportagem.

O Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) também minimiza impactos imediatos. Em nota, a entidade afirmou que “a criação de ZPE em outros estados não retira incentivos da Zona Franca de Manaus, mas reforça a necessidade de defesa permanente do modelo e de investimentos em inovação e logística”.

ZPE no Brasil

O Brasil possui hoje cerca de 12 Zonas de Processamento de Exportação autorizadas, em diferentes estágios de implantação ou operação.

Elas foram criadas com base em decretos presidenciais, especialmente após a regulamentação do modelo pela Lei nº 11.508, de 2007.

Nem todas estão plenamente operacionais, e muitas enfrentam dificuldades para atrair empresas, o que reforça que a simples criação de uma ZPE não garante sucesso econômico automático. Entre as principais estão:

•           Pecém (CE)

•           Parnaíba (PI)

•           Cáceres (MT)

•           Uberaba (MG)

•           Suape (PE)

•           Açú (RJ)

•           Barcarena (PA), a mais recente

Por fim, dizem os entendedores de Zona Franca de Manaus, que a criação de ZPE em outros estados reforça a necessidade de o Amazonas não depender apenas de incentivos fiscais, mas ampliar competitividade, tecnologia e sustentabilidade.

Fotos: divulgação