Na contramão da fronteira
Enquanto o crime organizado amplia sua atuação na tríplice fronteira, a Polícia Federal encolhe justamente onde deveria crescer.
Publicado em: 17/07/2026 às 10:22 | Atualizado em: 17/07/2026 às 10:23
Há situações em que os fatos falam por si. A ação do Ministério Público Federal (MPF) para obrigar a União a recompor, em caráter emergencial, o efetivo da Delegacia da Polícia Federal em Tabatinga é uma delas. Quando o MPF precisa recorrer à Justiça para cobrar o básico — estrutura para proteger uma das fronteiras mais sensíveis do país — fica evidente que algo está profundamente errado. Esse é o destaque de hoje (17) na coluna do Cristo.
Tabatinga não é uma cidade qualquer. Localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, ela ocupa posição estratégica no combate ao tráfico internacional de drogas, ao contrabando, ao garimpo ilegal e a outros crimes transnacionais. É uma das principais portas de entrada da cocaína que abastece organizações criminosas em território brasileiro.
O esperado seria que a presença do Estado fosse cada vez mais robusta. O que aconteceu, porém, foi exatamente o contrário. Nos últimos anos, a delegacia da Polícia Federal perdeu efetivo em praticamente todas as áreas, de delegados a escrivães, reduzindo sua capacidade operacional justamente quando as facções criminosas ampliam poder, recursos e influência na região.
A contradição salta aos olhos. O discurso oficial costuma destacar o fortalecimento do combate ao crime organizado e a importância da Amazônia para a segurança nacional. Mas, na prática, uma das unidades mais estratégicas da Polícia Federal opera com menos servidores do que deveria.
A iniciativa do MPF expõe uma realidade que há muito é conhecida pelas forças de segurança da região: não basta anunciar operações de impacto se a estrutura permanente permanece fragilizada.
Esse e outros assuntos você confere na Coluna do Cristo nesta sexta-feira.
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