O plano dos traidores está dando certo!
Aldenor Ferreira critica a atuação de setores radicais do bolsonarismo junto ao governo norte-americano contra o Brasil.
Por Aldenor Ferreira*
Publicado em: 02/06/2026 às 16:10 | Atualizado em: 02/06/2026 às 16:35
O plano dos traidores está dando certo porque a pressão norte-americana contra o Brasil começa a ganhar contornos diplomáticos e econômicos justamente no momento em que setores radicais do bolsonarismo intensificam suas articulações políticas junto ao governo dos Estados Unidos.
O governo Donald Trump anunciou uma proposta de tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. Segundo reportagem do G1, a medida foi apresentada no contexto de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), ampliando a tensão entre os dois países e elevando o nível da pressão internacional sobre o Brasil.
Atuação dos bolsonaristas
A escalada dessas tensões não ocorre de forma isolada. Nas últimas semanas, setores radicais do bolsonarismo intensificaram sua atuação junto ao governo norte-americano em busca de apoio político externo.
O problema é que esse movimento ultrapassa os limites normais da oposição democrática. Não se trata apenas de críticas ao governo Lula. Trata-se da tentativa de transformar uma potência estrangeira em instrumento de pressão sobre o próprio Brasil.
Esse é o ponto central da discussão.
Em democracias maduras, disputas políticas são resolvidas internamente. Governos mudam, eleições acontecem e adversários se enfrentam dentro das regras institucionais. O que não faz parte da tradição democrática é estimular pressões econômicas e diplomáticas estrangeiras contra o próprio país.
Tarifas e prejuízos
E os efeitos dessa estratégia podem aparecer rapidamente.
O Brasil poderá enfrentar tarifas comerciais mais elevadas, novas investigações econômicas e crescente desgaste internacional. Ainda que os defensores dessas articulações afirmem combater adversários políticos, as consequências tendem a recair sobre toda a sociedade brasileira.
Tarifas não atingem apenas o governo federal. Elas afetam exportadores, trabalhadores, produtores rurais, empresas e investimentos. Em outras palavras: quem paga a conta é o país.
Por isso, a situação ultrapassa a polarização política tradicional. Quando agentes políticos brasileiros comemoram ou estimulam medidas capazes de prejudicar a economia nacional, a fronteira do embate democrático é rompida.
Nenhuma divergência política justifica esse comportamento.
Considerações finais
Países democráticos convivem com oposição dura e conflitos ideológicos intensos. Mas existe uma diferença profunda entre enfrentar um governo e atuar politicamente para que uma potência estrangeira pressione economicamente o próprio país.
É justamente por isso que o plano dos traidores está dando certo.
O Brasil começa a sofrer consequências reais enquanto setores extremistas apostam no agravamento da crise nacional como estratégia política. Pouco importa o prejuízo econômico ou o desgaste internacional, desde que isso produza dividendos eleitorais internos.
Talvez esse seja o retrato mais radical do bolsonarismo: a disposição de sacrificar interesses nacionais em nome de um projeto político movido pelo ressentimento, pela radicalização e pela lógica da destruição.
O autor é sociólogo*.
Foto: Divulgação/imagem gerada por IA.
