O que aconteceu conosco?
Flávio Lauria questiona os rumos do Brasil e analisa sinais de crise ética, educacional e política que afetam toda a sociedade.
Por Flávio Lauria*
Publicado em: 16/06/2026 às 17:17 | Atualizado em: 16/06/2026 às 17:17
Começo o novo ano estarrecido! O que está acontecendo neste país? Por que os episódios se sucedem e se avolumam da maneira que presenciamos e não há quem os impeça? Por que aqueles que têm olhos não veem, nem leem; os que têm ouvidos não ouvem, e os que têm boca não falam?
A toda hora afloram ocorrências graves, de interesse da nação que são banalizados, atenuados e até mesmo ridicularizados!… Há uma sequência de fatos que demonstram desrespeito e desprezo tanto pelo Ministério Público como pelo cidadão comum.
E tudo vai ficar por isso mesmo? Será que perdemos a capacidade de nos indignarmos? Onde estão os “caras pintadas”? Onde estão aqueles que deveriam gritar “Moralidade Já”? Onde estão aqueles que apregoavam a implantação da ética e da coerência neste país? Onde estão aqueles que lutaram pela moralização da política?
A erosão da indignação coletiva
Encontraremos poucos, muitos (dos poucos) tiveram que romper com suas origens para não serem tragados pela cartilha vigente. Parece que os limites éticos e morais se tornaram elásticos demais. Tudo está relativizado e contextualizado na nossa sociedade. Os escândalos têm permeado o Judiciário, o Legislativo e o Executivo de todos os lados. É só ver o caso do Banco Master. Não é privilégio de um ou de outro grupo, mas estão por ai e recebem diferentes denominações:
Estou perplexo! A insegurança não está mais afeta às nossas idas e vindas a qualquer lugar, ela nos atinge até mesmo quando estamos em repouso dentro de nossas casas. Surgem das máquinas que revelam dados sigilosos dos cidadãos comuns, dados estes que o estado brasileiro deveria se empenhar para manter velado e vetado, especialmente quando já se sabia que a documentação (procuração, assinatura e autenticação) que solicitava as informações era falsa.
A insegurança e a violação da privacidade
Estamos todos, você e eu, sujeitos a sermos vigiados e ameaçados, mesmo que isto viole os nossos direitos constitucionais? Esta é uma grande pergunta. Estou triste! Onde está o cumprimento da promessa de dar oportunidade a todos os brasileiros? Se isto é uma verdade, a garantia desse penhor deve passar necessariamente pelo caminho da educação.
Mas o que constatamos? Há vagas não preenchidas nas bolsas de emprego por falta de qualificação profissional. O que aconteceu conosco? Planejamos mal o nosso futuro? Somos um país de celulares e de analfabetos. Ocupamos um dos piores postos de classificação em educação na esfera mundial. As pessoas saem das universidades e muitas são incapazes de ler um texto, entendê-lo e analisá-lo.
Educação fragilizada e futuro comprometido
Facilitamos o ensino. Não mais admitimos repetição de ano escolar. Mascaramos os resultados. Lembro-me que, há algumas décadas, meditei muito sobre o slogan de incentivo à leitura: “Quem não lê: não fala, não ouve, não vê”. Para onde foram as aulas de música nas escolas e as de Educação Moral e Cívica? Será que já somos um povo sensível o suficiente e civilizado o bastante para não precisarmos mais destes ensinamentos?
Não quero me estender, nem me alongar mais. Outros aspectos da nossa sociedade hodierna poderiam ser refletidos aqui, mas acho que o que escrevi já foi o suficiente para manifestar o meu descontentamento e preocupação.
A esperança como resistência
Quero encerrar, contudo, dizendo: estou esperançoso! Acredito que algo novo vai acontecer, que o gigante adormecido vai se levantar, que os valores que devem nortear uma sociedade justa, digna, fraterna e igualitária serão finalmente e definitivamente implantados em nosso país.
Espero que as pessoas de bem e não as pessoas de “bens” governem nossa cidade, nosso estado, nossa nação. A elas ofereço, desde já, as minhas orações.
O autor é doutor em Administração Pública.*
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