Legado de Alckmin no MDIC: quase R$ 170 bilhões de investimentos
Em despedida do ministério, vice-presidente detalhou recordes na indústria, exportações e fundos bilionários voltados à sustentabilidade e inovação na Amazônia.
Antônio Paulo, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 30/03/2026 às 20:26 | Atualizado em: 30/03/2026 às 21:01
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, apresentou um balanço da política industrial brasileira durante a 322ª reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS) nesta segunda-feira (30 de março).
Segundo ele, no centro da estratégia do governo brasileiro está a Nova Indústria Brasil (NIB), que prevê R$ 108 bilhões em financiamentos com juros reduzidos, voltados à inovação, digitalização e sustentabilidade.
“O sucesso da Zona Franca de Manaus está diretamente ligado à inovação e à agregação de valor. Esse é o caminho que estamos fortalecendo”, afirmou.
Alckmin também destacou o desempenho recorde das exportações brasileiras, que atingiram US$ 348,7 bilhões, mesmo diante de tensões comerciais com os Estados Unidos. Ele classificou como estratégica a resposta do governo ao tarifaço do governo de Donald Trump, que elevou tarifas a até 50% em determinados produtos.
“Conseguimos reverter esse cenário. Saímos de um patamar quase de embargo para uma tarifa máxima de 10%, sendo o Brasil o país mais beneficiado. E muitos produtos estão com 0% como avião, toda a parte de aeronáutica, suco de laranja entre outros, disse.
Abertura de mercados
O ministro ressaltou ainda o avanço em acordos internacionais, com destaque para o acordo Mercosul-União Europeia, que entra em vigor provisoriamente e abre acesso a um mercado estimado em US$ 22 trilhões.
Além disso, citou acordos com Singapura e países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), ampliando a inserção do Brasil em cadeias globais.
“Estamos ampliando mercados e atraindo investimentos. Isso é fundamental para a competitividade da indústria brasileira”, afirmou.
Outro eixo central da política industrial é a redução do custo Brasil. Alckmin destacou o Portal Único de Comércio Exterior, que deve gerar economia de até R$ 40 bilhões, além da digitalização de processos logísticos.
Financiamento verde
Na agenda ambiental e de transição energética, Alckmin destacou a ampliação dos instrumentos de financiamento verde, com destaque para dois fundos estratégicos:
O Fundo Amazônia terá cerca de R$ 3,7 bilhões em recursos não reembolsáveis, voltados a projetos de preservação, bioeconomia e desenvolvimento sustentável na região amazônica.
Do mesmo modo, o Fundo Clima estará aproximadamente R$ 33 bilhões em recursos, com linhas de crédito a juros reduzidos (entre 6% e 7%), destinados a projetos de sustentabilidade, eficiência energética e descarbonização.
“O Fundo do Clima tem juros muito mais baixos do que o mercado tradicional. É uma ferramenta importante para viabilizar investimentos sustentáveis”, afirmou o ministro.
O vice-presidente mencionou ainda a criação e fortalecimento de novos instrumentos voltados à bioeconomia, como o Fundo Internacional de Bioeconomia, e programas de apoio à indústria verde.
Crédito para indústria sustentável
Alckmin também destacou outras linhas de financiamento com impacto direto na agenda ambiental:
• R$ 10 bilhões via BNDES, sendo: R$ 7 bilhões para indústria 4.0 e R$ 3 bilhões para máquinas verdes, voltadas à eficiência energética
• R$ 15 bilhões em crédito emergencial (Brasil Soberano 2), incluindo empresas afetadas por barreiras comerciais, com juros entre 6% e 9%.
Defesa comercial
Alckmin também enfatizou ações de defesa da indústria nacional, especialmente no combate ao contrabando e à concorrência desleal no setor eletroeletrônico.
“Não podemos permitir que produtos ilegais prejudiquem a indústria nacional. Atuamos junto à Anatel e à AGU para garantir que apenas produtos regularizados sejam comercializados”, explicou.
Para ele, a Zona Franca de Manaus representa um exemplo bem-sucedido de política industrial integrada.
“Aqui temos geração de emprego, agregação de valor e desenvolvimento sustentável. É um modelo que precisa ser fortalecido”, concluiu.
Leia mais
CAS aprova 83 projetos com investimentos de R$ 1,17 bilhão
“Aqui temos geração de emprego, agregação de valor e desenvolvimento sustentável. É um modelo que precisa ser fortalecido”, concluiu.
Foto : Cadu Gomes/VPR
