Amazonas fora do comando das comissões da Câmara em 2026

Estado fica sem presidências de comissões na Câmara, perdendo protagonismo para o Pará e São Paulo no cenário legislativo.

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 06/02/2026 às 16:20 | Atualizado em: 06/02/2026 às 16:21

Na definição das presidências das comissões permanentes da Câmara dos Deputados para 2026, o Amazonas ficou fora do comando de todos os colegiados, um dos principais espaços de poder do parlamento.

Por outro lado, no Senado, a bancada amazonense manteve os três senadores como líderes de seus partidos e membros das principais comissões.

Assim, o senador Omar Aziz continua como líder do PSD (13 senadores), Eduardo Braga se mantém no comando do MDB (10 senadores) e Plínio Valério é líder do PSDB no Senado, com 3 senadores.

Do mesmo modo, Aziz, Braga e Valério continuam como membros das principais comissões do Senado: Constituição e Justiça (CCJ) e Assuntos Econômicos (CAE).

No entanto, nenhum dos três senadores estará na presidência de comissão em 2026.

Eleições para o comando de comissões, no Senado, ocorre de dois em dois, juntamente com eleição da mesa diretora. Diferentemente da Câmara que o rodízio no comando das comissões é anual.

Amazonas sem presidências

No caso da Câmara dos Deputados, a ausência da bancada amazonense, no comando de comissões, contrasta com o desempenho do Pará, único estado da Região Norte a conquistar duas presidências.

E com São Paulo, que lidera o ranking nacional e assume, inclusive, a Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais.

Isso mesmo. Uma deputada paulista foi eleita, esta semana, a nova presidente da Comissão da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais. Juliana Cardoso (PT-SP) é ascendente da etnia Terena e foi vice-presidente da comissão por dois anos consecutivos (2024-2025).

Do mesmo modo, o estado da deputada da etnia Terena, São Paulo, detém cinco das 22 comissões permanentes da Câmara dos Deputados, e a região sudeste ficou com oito comissões no total – duas para Minas Gerais e outra para o Rio de Janeiro.

Visibilidade política

As comissões permanentes são responsáveis por analisar projetos de lei, definir prioridades, convocar audiências públicas e, em muitos casos, dar parecer terminativo às matérias.

Presidir um colegiado significa controle de pauta, visibilidade política e poder de articulação, especialmente em um ano marcado pelo calendário eleitoral.

Portanto, a ausência de presidentes de comissões do Amazonas em 2026 mostra um desafio político para a bancada estadual em um ano legislativo que se inicia em cenário pré-eleitoral, quando as comissões assumem papel ainda mais central na tramitação de propostas e na formação de consensos.

Em contraponto, São Paulo consolida sua presença nacional sobressaindo nos comandos de colegiados, inclusive em temas ligados à Amazônia, enquanto o Pará se destaca na Região Norte, com dois comandos assumidos por deputados paraenses.

Pará se destaca no Norte

Desse modo, entre os sete estados da Região Norte, apenas o Pará conseguiu espaço nos comandos das comissões, com dois deputados à frente de colegiados considerados estratégicos:

Na Comissão de Desenvolvimento Urbano foi eleito o deputado Keniston Braga (MDB-PA). A comissão é responsável por temas como política urbana, habitação, saneamento e mobilidade.

Assim como os paraenses conquistaram a importante Comissão de Minas e Energia, que será presidida pelo deputado Joaquim Passarinho (PL-PA). Esse é um dos colegiados mais relevantes para estados produtores e para debates sobre energia, mineração e recursos naturais.

Com esse resultado, o Pará se consolida como o estado mais influente da Região Norte na estrutura interna da Câmara em 2026.

São Paulo na comissão da Amazônia

No cenário nacional, São Paulo foi o estado com o maior número de presidências de comissões permanentes, ampliando sua influência política no parlamento.

Um dos destaques é a Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, que será presidida pela deputada Juliana Cardoso (PT-SP). O colegiado trata de temas sensíveis para os estados amazônicos, como proteção ambiental, direitos indígenas e políticas para povos tradicionais.

A escolha reforça a concentração de poder político em estados com grandes bancadas, mesmo em áreas diretamente ligadas à Região Norte.

A distribuição das presidências segue acordos entre líderes partidários e a proporcionalidade das bancadas. Na prática, os comandos das comissões funcionam como vitrines políticas e instrumentos de negociação dentro da Câmara.

Imagem: Alex Fideles/BNC