Amazonas amarga desemprego e informalidade acima da média nacional

Com 8,4% de desocupação e 50,8% de informalidade, Amazonas superou médias da região Norte e de todo o Brasil, em 2025, diz IBGE

Linha de Produção da Honda no PIM

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 20/02/2026 às 17:51 | Atualizado em: 20/02/2026 às 17:51

O próximo governador do Amazonas, a ser eleito em outubro deste ano, já tem um desafio a ser enfrentado com urgência: recuperar o emprego dos trabalhadores amazonenses.

Embora, o polo industrial de Manaus tenha alcançado um faturamento recorde de R$ 227,67 bilhões, em 2025, esse gargalo do emprego precisa ser superado.

Isso porque, segundo o IBGE, o Amazonas apresentou, em 2025, uma taxa de desocupação de 8,4%. O índice supera os 6,6% da Região Norte e os 5,6% da média nacional.

No campo da qualidade do emprego, embora a informalidade no estado (50,8%) seja ligeiramente inferior à média regional (51,9%), ela permanece drasticamente acima dos 38,1% registrados no Brasil.

O desafio reflete-se também no bolso: o rendimento médio real do trabalhador amazonense é de R$ 2.733, o menor no comparativo, ficando atrás tanto da média do Norte (R$ 2.777) quanto da média do país (R$ 3.560).

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, que reúnem estatísticas detalhadas sobre o cenário laboral brasileiro entre 2012 e 2025.

No entanto, a pesquisa não abrange dados de 2020-2022, devido à pandemia de Covid-19, período atípico para levantamento dos dados e da própria vida brasileira.

Empregos na ZFM

De acordo com dados divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o polo industrial manteve, em 2025, uma média mensal de 131.444 trabalhadores.

Em determinados meses do ano, o contingente de mão de obra direta (incluindo efetivos, temporários e terceirizados) chegou a superar os 132 mil funcionários.

No entanto, o ano encerrou com um registro de 131.401 trabalhadores diretos no chão de fábrica.

Esses resultados foram impulsionados principalmente pelos setores de eletroeletrônicos, bens de informática e duas rodas.

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Níveis de ocupação

Segundo os dados da Pnad Contínua, a pandemia de Covid-19 teve um impacto direto no mercado de trabalho amazonense, elevando a taxa de desocupação no Amazonas para 16,6% em 2021, o ponto mais alto da série histórica recente.

Esse movimento representou um salto considerável em relação aos 14,1% registrados em 2019, o último ano antes da crise sanitária.

Embora o desemprego tenha recuado em relação aos picos observados durante a pandemia, quando o estado chegou a registrar 16,6% em 2021, o Amazonas ainda luta para alinhar seus índices aos patamares de pleno emprego vistos em outras regiões.

A partir de 2022, iniciou-se um processo de recuperação. A desocupação no estado recuou para 13,9% naquele ano, mantendo uma trajetória de queda até os 8,4% em 2025.

Ainda, de acordo com a Pnad, o nível de ocupação no Amazonas, em 2025, foi estimado em 57,6%, superando levemente a média regional de 57,3%, mas ainda abaixo dos 59,1% registrados em todo o Brasil.

Ao longo da última década, esse indicador no estado oscilou de 56,8% em 2012 para o patamar atual, evidenciando uma lenta recuperação da capacidade de absorção de mão de obra.

Alta informalidade

Contudo, a qualidade desse emprego preocupa. O Amazonas mantém um dos maiores índices de informalidade do país. Em 2025, 50,8% dos trabalhadores amazonenses estavam na informalidade, o que significa que mais da metade da força de trabalho atuou sem carteira assinada ou proteção previdenciária.

Desse modo, o estado segue um padrão da Região Norte, que historicamente possui índices de informalidade mais elevados (51,9% em 2025) do que as regiões Sul (30,1%) e Sudeste (33,0%).

Isso indica que as dinâmicas econômicas regionais ainda não favorecem a criação de postos de trabalho com carteira assinada no mesmo ritmo do restante do país.

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Salários abaixo da média

No que diz respeito ao bolso, o rendimento médio mensal real do trabalhador amazonense, em 2025, era de R$ 2.733. O valor está abaixo da média da Região Norte (R$ 2.777) e representa um abismo em comparação à média brasileira de R$ 3.560.

Historicamente, o rendimento no Amazonas sofreu quedas acentuadas, saindo de R$ 2.838 em 2012 para o nível atual, mostrando que o poder de compra real não acompanhou o crescimento econômico no mesmo ritmo de outras unidades federativas.

A taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui desocupados, subocupados por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial, é de 18,1% no Amazonas. O índice é maior que o nacional (14,5%) e o regional (17,0%), indicando que uma parcela significativa da população local gostaria de trabalhar mais ou está disponível, mas não encontra oportunidades adequadas.

Sexo e escolaridade

Já a análise segmentada por sexo revela que as mulheres continuam em desvantagem no estado. Enquanto a taxa de desocupação para os homens no Amazonas é de 6,5%, entre as mulheres esse índice salta para 10,9%.

Além disso, o nível de ocupação feminina (47,1%) é muito inferior ao masculino (68,9%), evidenciando barreiras históricas de inserção das mulheres no mercado amazonense.

Ao mesmo tempo, o grau de instrução surge como o principal divisor de águas para a empregabilidade. No Amazonas, a taxa de desocupação para quem possui ensino superior completo é de apenas 4,4%, enquanto para aqueles com ensino médio incompleto o índice sobe para 11,6%.

O nível de ocupação para graduados no estado chega a impressionantes 82,8%, contra apenas 35,4% para pessoas sem instrução, reforçando que a educação continua sendo o caminho mais seguro para a estabilidade laboral.

Manifestação do Governo do Amazonas

Diante dos dados da Pnad Contínua, o Governo do Amazonas destaca redução do desemprego no estado e projeta mais de R$ 8 bilhões em investimentos para o interior

O titular da Secretaria de Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedcti), economista Serafim Corrêa, foi quem analisou os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).

Para o secretário, o caminho para a melhoria desses indicadores e para a interiorização do emprego passa obrigatoriamente pela atração de grandes investimentos.

“A geração de emprego depende diretamente de investimento. Podemos considerar que o Amazonas diminuiu os níveis de desemprego, e obviamente gostaríamos que a qualidade do emprego fosse melhor, mas é preciso ver que, tirando Manaus, o nosso interior é isolado e tem dificuldades em gerar emprego. Manaus, no Distrito Industrial, melhorou a empregabilidade e o número de pessoas empregadas, apesar do índice crescente de robotização pelas fábricas”, destacou Serafim Corrêa.

Investimentos de R$ 8 bilhões

O secretário ressaltou que o Governo do Estado tem trabalhado em medidas concretas, como a quebra do monopólio do gás, que já está rendendo frutos no interior. Entre os exemplos de investimentos de alto impacto que devem consolidar novas frentes de emprego, Serafim citou:

• Usina Azulão 950 (Itapiranga e Silves) – investimento de R$ 7,3 bilhões na geração de energia a partir de gás natural;
• Novo porto de Itacoatiara – investimento de R$ 200 milhões pela Superterminais para o escoamento de grãos;
• Reativação da mina do Pitinga (Presidente Figueiredo) – investimento chinês de R$ 550 milhões na mineração Taboca.

“No total, são mais de R$ 8 bilhões investidos no interior. Esse é um processo lento e que leva tempo, mas que só é possível a partir de medidas efetivas, como as tomadas pelo governador Wilson Lima ao atrair investimentos como os da Eneva. É o investimento que vai garantir mais emprego no interior”, concluiu o titular da Sedcti, Serafim Corrêa.

Foto: BNC Amazonas