Âmbar ignora audiência na Câmara sobre crise de energia no Amazonas

O deputado Fausto Jr. disse que a ausência da empresa é uma “tapa na cara” da população e prometeu fazer convocação

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 30/06/2026 às 18:39 | Atualizado em: 30/06/2026 às 18:39

Convidada há mais de três meses, a Âmbar Energia, do grupo J&F, ignorou convite de duas comissões da Câmara dos Deputados para debater os constantes apagões e quedas de energia no interior e capital do Amazonas.

A empresa, que assumiu o controle da Amazonas Energia, não enviou representante para a audiência pública conjunta das comissões de Defesa do Consumidor e de Minas e Energia nesta terça-feira (30), em Brasília, e se limitou a expedir um ofício ao colegiado.

O deputado Fausto Júnior (União Brasil), autor do pedido de audiência, disse que a ausência da empresa é uma “tapa na cara” da população amazonense e prometeu fazer a convocação de um representante da empresa após o recesso parlamentar.

Desse modo, a empresa será obrigada a enviar um representante. “É algo de se lamentar a ausência de um representante, que seja da Âmbar Energia, seja da Amazonas Energia, que é o objeto dessa audiência pública, de prestar esclarecimentos”, disse o deputado.

O parlamentar disse que o tema é de interesse público, “algo fundamental para a sobrevivência de toda a população, que é a geração de energia”.

Sobre o convite, Fausto disse que ele foi feito de forma reiterada há mais de três meses, inclusive com a postergação da audiência pública.

“Isso na insistência de se entender que essa audiência pública é, na verdade, uma oportunidade que a empresa teria de colocar para a população qual é o seu planejamento, qual é a sua intenção”, afirmou.

No ofício, a empresa disse que se encontra “em fase inicial de assunção da concessão”.

Ou seja, a empresa alegou que ainda está cumprindo prazo para “estruturação e consolidação das informações técnicas e operacionais” e entende que, no momento, sua participação presencial não permitiria contribuir de forma plena e consistente com os esclarecimentos.

No documento, a Âmbar prestou esclarecimentos sobre alguns pontos: os termos do acordo homologado; plano de reestruturação da concessão; metas de qualidade e continuidade; metas de universalização do serviço; medidas destinadas à mitigação de falhas históricas; e política tarifária.

A explicação foi considerada insuficiente pelo deputado amazonense.

Audiência

Mesmo com a ausência da Âmbar, a audiência foi realizada com representantes de diversos órgãos de regulação, defesa do consumidor e de trabalhadores.

O superintendente de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Giácomo Almeida, disse que a empresa tem até 120 dias, que se expira no meio de julho, para apresentar seu plano de ação.

“Esse plano de ação tem o objetivo de reduzir perdas não técnicas, promover melhorias do desempenho operacional, promover melhoria contínua da qualidade do serviço”, explica.

O presidente do Sindicato dos Urbanitários do Amazonas, Hilton Albuquerque, denunciou que 2 mil trabalhadores foram demitidos no Amazonas com o processo de privatização.

“Com isso foi embora, junto com esses trabalhadores, todo um arcabouço técnico e competência de atuar no sistema”.

Para ele, é fundamental que a empresa possa contratar profissionais capacitados para poder fazer um bom trabalho no estado.

“Senão, nós estaremos só trocando de nome. E a mazela continuará no Amazonas. Se a gente não tiver um pessoal qualificado para fazer um trabalho exemplar no campo, com certeza não teremos qualidade do serviço da empresa”.

Foto: Vinicius Loures /Câmara dos Deputados