Bancada do AM ajuda derrubar veto de Lula para reduzir pena de Bolsonaro
Deputados e senadores amazonenses contribuíram para aprovar o PL da Dosimetria, beneficiando condenados pelos atos golpistas e o ex-presidente Bolsonaro.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 30/04/2026 às 17:31 | Atualizado em: 30/04/2026 às 17:32
Em sessão do Congresso nesta quinta-feira (30 de abril), deputados e senadores da bancada do Amazonas não deram sequer um voto favorável ao veto do presidente Lula da Silva ao PL da Dosimetria.
Desse modo, o grupo contribuiu para derrubar o veto e aprovar o projeto, que reduz penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e militares.
Na Câmara foram 318 votos contra o veto e 144 a favor, com cinco abstenções. No Senado, foram 49 votos pela rejeição do veto e 24 contra.
Votaram a favor da derrubada do veto: os deputados Adail Filho (MDB), Aberto Neto (PL), Fausto Jr. (União) e Saullo Vianna (MDB).
Sidney Leite (PSD) se absteve e não compareceram à votação Átila Lins (PSD) e Amom Mandel (Republicanos).
No Senado, Omar Aziz (PSD), Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB) votaram pela derrubada do veto.
“Vitória da justiça. O Congresso corrige penas desproporcionais que fizeram inocentes sofrerem. Não é o fim da luta, mas já é um alívio pra quem vive esse drama. Seguimos firmes por justiça e dignidade”, comemora Alberto Neto.
Banco Master
Para derrubar o veto, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) denunciou um acordo costurado entre o PL e o Centrão para blindar políticos ligados ao Banco Master e reduzir penas dos golpistas.
“Esse acordão junta duas pontas da mesma engrenagem, blindando o andar de cima no escândalo do Master e garantindo impunidade para quem atacou a democracia, o STF e a soberania nacional”, disse.
O deputado anunciou que a matéria será judicializada no STF.
“Uma lei abstrata e geral não pode nascer com desvio de finalidade para beneficiar pessoas determinadas, reduzir a proteção penal do Estado Democrático de Direito e violar a separação de Poderes para interferir na dosimetria da pena feita pelo Poder Judiciário”, justifica.
Votação
Para viabilizar a aprovação do texto, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), Davi Alcolumbre, fatiou a votação, excluindo os trechos que beneficiariam criminosos comuns
Ele ainda anunciou que parte do veto – incisos 4 a 10 do artigo 112 da Lei de Execução Penal – estava prejudicada e não seria analisada.
Os trechos tratam da progressão de regime para crimes hediondos, integrantes de facções criminosas, milicianos, estupradores, feminicidas e pedófilos e colidiam com a Lei Antifacção, sancionada em março deste ano.
Os bolsonaristas estavam sendo acusados no PL da Dosimetria de beneficiar esses criminosos para livrar Bolsonaro da cadeia. Agora, o ex-presidente poderá ir para o regime semiaberto antes de 2033.
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
