Brasil mantém competitividade após nova tarifa global de 10% dos EUA, diz Alckmin

“Os 10% são globais. Não perdemos competitividade”, afirmou o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin

Brasil mantém competitividade após nova tarifa global de 10% dos EUA, afirma Alckmin

Da Redação do BNC Amazonas*

Publicado em: 21/02/2026 às 08:54 | Atualizado em: 21/02/2026 às 09:00

O Brasil não perderá competitividade com a nova tarifa global de 10% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A avaliação é do presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que destacou que a medida será aplicada de forma uniforme a todos os países exportadores.

“Os 10% são globais. Não perdemos competitividade”, afirmou Alckmin nesta sexta-feira (20). Segundo ele, como a taxa atinge todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos, o Brasil permanece em igualdade de condições no mercado norte-americano.

A declaração ocorre após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegais tarifas impostas anteriormente por Trump com base em poderes de emergência. Por seis votos a três, a Corte entendeu que a criação de tarifas é prerrogativa do Congresso, e não do Executivo.

Revés ao “tarifaço”

Dessa forma, o julgamento anulou parte central do chamado tarifaço, que previa uma alíquota global de 10% e uma sobretaxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros — totalizando até 50% em alguns casos.

Para Alckmin, a decisão judicial é “muito importante” e cria oportunidades para a ampliação das trocas comerciais. “Abriu-se uma avenida para um comércio mais pujante”, declarou.

No auge das medidas, cerca de 37% das exportações brasileiras estavam sujeitas às tarifas adicionais. Após negociações diplomáticas, esse percentual havia recuado para 22% no fim do ano passado.

Apesar da derrota judicial, Trump reagiu anunciando que buscará novos caminhos legais para sustentar sua política tarifária. O republicano confirmou a criação de uma nova taxa global de 10%, com base em outros dispositivos da legislação comercial americana.

Setores podem ganhar espaço

De acordo com o vice-presidente, a redução das barreiras mais severas pode favorecer segmentos como máquinas, motores, madeira, pedras ornamentais, café solúvel e frutas. Produtos estratégicos, como aço e alumínio — atingidos pela chamada Seção 232 da legislação americana — ainda podem ter desdobramentos jurídicos.

A Seção 232 da Lei de Segurança Nacional dos EUA autoriza a imposição de tarifas sobre importações consideradas ameaça à economia ou à segurança nacional.

Alckmin ressaltou, no entanto, que o Brasil não figura entre os países que geram déficit comercial para os Estados Unidos e defendeu a continuidade do diálogo bilateral. “A negociação continua”, afirmou.

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Impacto econômico

Especialistas avaliam que a derrubada das tarifas pode impulsionar a retomada das exportações brasileiras e, ao mesmo tempo, aliviar pressões inflacionárias nos Estados Unidos, ao baratear produtos importados.

Em 2025, as vendas brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 37,7 bilhões, o equivalente a 10,8% das exportações totais do país.

Como resultado, a redução das barreiras comerciais tende a influenciar o fluxo de investimentos e o comportamento do dólar, com possíveis reflexos sobre a atividade econômica no Brasil.

Mesmo com o revés na Suprema Corte, Trump sinalizou que poderá abrir novas investigações comerciais e estruturar tarifas por outros instrumentos legais, mantendo a proteção à indústria americana como eixo central de sua estratégia econômica.

*Com informações da Agência Brasil.

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Foto: Cadu Pinotti/Agência Brasil