Câmara de Manaus ignora pressão por cassação de vereador investigado
Comitê cobra acesso ao processo contra Rosinaldo Bual e expõe demora da casa em dar resposta a denúncias graves envolvendo corrupção e suspeitas apuradas pelo combate ao crime organizado
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 19/06/2026 às 15:32 | Atualizado em: 19/06/2026 às 15:32
A Câmara Municipal de Manaus voltou ao centro das críticas por sua condução do caso envolvendo o vereador Rosinaldo Bual (Agir). Desta vez, o Comitê Amazonas de Combate à Corrupção pediu acesso ao processo relacionado ao pedido de cassação do parlamentar, alegando falta de transparência e ausência de informações sobre o andamento da representação protocolada ainda em 2025.
O episódio reacende questionamentos sobre a postura da casa diante de acusações consideradas graves.
Bual foi alvo de investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), sob suspeita de operar um esquema de rachadinha, além de indícios de lavagem de dinheiro e uso da estrutura do mandato para obtenção de vantagens ilícitas.
Durante as investigações, foram apreendidos dinheiro em espécie, cheques e armas em endereços ligados ao parlamentar, incluindo seu gabinete.
Apesar da repercussão do caso e das medidas judiciais adotadas ao longo da investigação, o pedido de cassação permanece sem desfecho político na câmara.
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Cobrança por transparência
O Comitê Amazonas de Combate à Corrupção sustenta que a demora compromete a credibilidade institucional do Legislativo municipal e enfraquece os mecanismos de controle interno da casa.
A entidade busca agora acesso formal ao processo para verificar quais providências efetivamente foram adotadas pela mesa diretora e em que estágio se encontra a análise da representação.
O movimento amplia a pressão sobre os vereadores para que deem uma resposta pública a um caso que ultrapassou a esfera política e alcançou órgãos de investigação criminal.
Silêncio da casa
A lentidão da câmara contrasta com a gravidade das acusações investigadas. Enquanto o Ministério Público e órgãos de controle avançaram na apuração dos fatos, a tramitação do pedido de cassação permanece envolta em questionamentos sobre transparência e prioridade institucional.
O caso reforça um debate recorrente sobre a capacidade dos parlamentos de exercerem o controle ético sobre seus próprios integrantes quando surgem denúncias de corrupção ou de vínculos investigados com estruturas criminosas.
Mais do que a situação individual do vereador, a cobrança do comitê coloca em evidência a responsabilidade da Câmara de Manaus de demonstrar à sociedade que denúncias dessa natureza recebem tratamento compatível com sua gravidade.
Foto: divulgação
