China se aproxima do Pix enquanto EUA elevam pressão
Movimentos opostos expõem disputa geopolítica em torno dos meios de pagamento e da influência financeira global
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 20/06/2026 às 11:25 | Atualizado em: 20/06/2026 às 11:25
Enquanto os Estados Unidos mantêm sob investigação o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos Pix, a China avança na direção contrária ao ampliar mecanismos de cooperação financeira com o Brasil.
O movimento ocorre em um contexto de fortalecimento do Brics e de busca por alternativas ao predomínio do dólar nas transações internacionais.
A aproximação chinesa é interpretada por analistas como parte de uma estratégia mais ampla de integração financeira entre economias emergentes.
O objetivo é ampliar o comércio bilateral, reduzir custos operacionais e criar instrumentos capazes de diminuir a dependência das estruturas financeiras tradicionalmente controladas por países ocidentais.
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O contraponto aos Estados Unidos
O avanço das conversas entre Brasil e China ocorre em meio à ofensiva de Washington contra o Pix.
O governo americano questiona aspectos do sistema desenvolvido pelo Banco Central, argumentando que o modelo poderia favorecer uma plataforma pública em detrimento de operadores privados do mercado de pagamentos.
A posição tem sido rebatida por autoridades brasileiras, que destacam o caráter universal, gratuito e competitivo do sistema.
Desde sua implantação, o Pix tornou-se uma referência internacional de inovação financeira, servindo de inspiração para iniciativas semelhantes em outros países.
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro avaliam que o interesse dos Estados Unidos ultrapassa questões regulatórias.
O sucesso do Pix representa uma alternativa ao modelo tradicional de intermediação financeira e reduz a dependência de grandes operadores globais de pagamentos.
Brics e a redução da dependência do dólar
A aproximação financeira entre Brasil e China também dialoga diretamente com uma das principais bandeiras defendidas pelo Brics nos últimos anos: a ampliação do uso de moedas locais e a criação de mecanismos de compensação financeira independentes do dólar.
Embora o Pix seja um sistema voltado ao mercado interno brasileiro, sua eficiência e eventual integração com plataformas internacionais passaram a ser observadas como peças relevantes na disputa por influência econômica e tecnológica entre as grandes potências.
Nesse contexto, o Brasil encontra-se em posição estratégica.
De um lado, enfrenta questionamentos dos Estados Unidos sobre sua política de pagamentos digitais.
De outro, amplia a cooperação com a China e com parceiros do Brics, que enxergam na inovação financeira brasileira uma oportunidade para fortalecer alternativas ao sistema financeiro internacional dominado pelo dólar.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
