‘Eu tô é pronto’: Cidade assume governo do Amazonas mirando outubro

Em posse oficial, Roberto Cidade assume o Executivo estadual com foco em vitrine política e foco nas eleições de 2026.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 04/05/2026 às 20:21 | Atualizado em: 04/05/2026 às 20:21

Com forte simbolismo político e olhos voltados para as eleições de 2026, o deputado estadual Roberto Cidade (União Brasil) tomou posse nesta segunda-feira (4 de maio) como governador do Amazonas, ao lado do vice-governador Serafim Corrêa (PSB).

A cerimônia seguiu os ritos constitucionais, com leitura e assinatura dos termos de compromisso, oficializando o mandato-tampão até 5 de janeiro de 2027.

A posse ocorre após a renúncia do então governador Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza, em 5 de abril, para disputar cargos eletivos nas eleições de outubro deste ano. Ambos compareceram à solenidade de posse do aliado político.

Diante da vacância simultânea, a escolha da nova chefia do Executivo se deu por meio de eleição indireta na Assembleia Legislativa do Amazonas.

Mas foi no discurso que Cidade deixou mais claro o rumo político do novo governo e, principalmente, suas intenções.

Continuidade com recado eleitoral

Ao elencar prioridades, o novo governador apresentou uma agenda que mistura continuidade administrativa com construção de vitrine política projetada para o futuro.

Entre os principais eixos, destacou o fortalecimento da saúde pública, investimentos em infraestrutura e mobilidade, avanço na educação, geração de emprego e renda, segurança pública, ampliação de políticas sociais e o desenvolvimento do interior.

O tom foi de quem não pretende apenas administrar uma transição.

Ao defender a manutenção de programas e a aceleração de entregas, Cidade sinalizou que seu projeto político ultrapassa os nove meses de gestão.

Significado político

A fala caminhou nesse sentido até culminar na frase final — direta, calculada e carregada de significado político: “Eu tô é pronto.”

O bordão, utilizado por ele na campanha à Prefeitura de Manaus em 2024, ressurge agora no momento em que assume o comando do Estado e funciona como uma espécie de recado público de que está disposto a disputar a reeleição em outubro de 2026.

Governo curto, ambição longa

Na prática, Cidade assume com pouco tempo de mandato, mas com um horizonte político bem definido. A legislação permite que ele concorra à reeleição, o que transforma o governo-tampão em uma plataforma pré-eleitoral.

O desafio será equilibrar a gestão imediata, com respostas rápidas à população e a construção de uma narrativa de eficiência capaz de sustentar uma candidatura competitiva no próximo pleito.

Presença de autoridades

A solenidade reuniu autoridades dos três poderes e de instituições importantes do Estado. Estiveram presentes o prefeito de Manaus, Renato Júnior (adversário político de Roberto Cidade), representantes da Câmara Municipal, do Poder Judiciário, incluindo o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas, Jomar Fernandes.

Assim como representante do Ministério Público – a procuradora-geral de Justiça, Leda Mara, da Defensoria Pública, do Tribunal de Contas do Estado, além da reitora da Universidade Federal do Amazonas e outras lideranças civis e militares.

O deputado federal Átila Lins (PSD-AM) representou a Câmara dos Deputados. Ele estava acompanhado dos deputados federais Fausto Jr. (União-AM) e Saullo Vianna (MDB-AM).

Novo ciclo político

Portanto, a posse de Roberto Cidade, como governador-tampão do Amazonas, inaugura um novo capítulo na política amazonense, marcado por uma transição incomum, via eleição indireta, mas com efeitos diretos sobre o cenário eleitoral.

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Se o discurso de posse serve como termômetro, o novo governador não chega apenas para cumprir tabela. Chega para disputar as eleições de outubro de 2026.

Fotos: BNC Amazonas