Climão no PL ameaça candidatura de Maria do Carmo Seffair
Campanha que põe Alfredo Nascimento de escanteio e potencializa Coronel Rosses vira intriga
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 27/04/2026 às 06:50 | Atualizado em: 27/04/2026 às 06:50
O que deveria ser uma marcha unida da direita no Amazonas rumo a 2026 transformou-se em um campo de batalha repleto de desconfianças, “puxadas de tapete” e um clima de insurreição interna.
No centro do furacão, o Partido Liberal (PL) vive uma implosão silenciosa. Esta implosão agora ganha tons públicos. Dessa forma, coloca em xeque a viabilidade da pré-candidata ao governo, Maria do Carmo Seffair.
O isolamento do cacique
O ex-deputado e presidente regional da sigla, Alfredo Nascimento, parece ter acordado para uma realidade incômoda. É o que informam políticos que conversaram com nos últimos dias. O cacique pode estar sendo “rifado” pelo próprio grupo que ajudou a montar.
A estratégia original de Alfredo era clara: utilizar a votação expressiva do fenômeno das redes sociais, o vereador Sargento Salazar, como um “puxador de votos” para garantir sua volta à Câmara Federal na carona nos votos da eleitoral.
No entanto, as recentes incursões pelas calhas do Purus, Juruá e mais recentemente Itacoatiara, num espaço de duas semanas, revelaram uma nova, e perigosa, configuração. Enquanto Maria do Carmo e Salazar desbravam o interior, a ausência de Alfredo é tão gritante quanto a presença constante do Coronel Rosses.
Fontes internas indicam que Salazar ainda não assimilou a ideia de servir de escada para Alfredo. Seus movimentos, publicamente, mostram que a prioridade do parlamentar é o colega policial. Isso fica mais visível nas redes sociais de Maria do Carmo. Assim é fato que ambos deixam Alfredo à própria sorte.
Falta de conexão
A tensão não se resume apenas à engenharia eleitoral. Nos bastidores, as críticas à postura de Maria do Carmo são severas. Relatos dão conta da existência de uma “crise de relacionamento” da pré-candidata com a base partidária. A palavra “arrogância” tem sido repetida por aliados, que apontam uma falta de conexão vital para quem pretende governar o maior estado da federação.
Desacordos
Pesa ainda contra Maria a acusação de que acordos firmados com a presidência do partido não estariam sendo cumpridos. Enquanto a estrutura de viagens e logística parece fluir para nomes como Salazar e Rosses, Alfredo Nascimento se vê escanteado, assistindo de longe ao fortalecimento de figuras que, teoricamente, deveriam estar sob seu comando.
Leia mais
Maria do Carmo faz enquete para deixar Alfredo apavorado
O “freio de arrumação” ou a implosão final
O clima é de “porradal”, como definem interlocutores próximos à cúpula do PL-AM. A insatisfação de Alfredo chegou a um ponto de ruptura tão crítico que o cacique já teria sinalizado a possibilidade de um movimento drástico: retirar o partido das mãos de Maria do Carmo.
Conversas de bastidores sugerem que Alfredo já foi sondado por figuras ligadas ao governo, e nomes como o de Roberto Cidade (União Brasil) começam a circular como possíveis destinos para o apoio do PL, caso a candidatura própria se torne insustentável.
“Eles estão brincando com fogo. O Alfredo tem a chave do partido, e se ele sentir que está sendo usado apenas como peça descartável, ele não hesitará em implodir o projeto de Maria do Carmo antes mesmo da convenção”, afirma um aliado próximo ao presidente do PL.
Foto: reprodução
