Empate técnico entre Lula e Flávio: o que está por trás dos números

Analistas apontam consolidação da candidatura de Flávio, saída de Tarcísio da disputa e desgaste político como fatores.

Publicado em: 16/03/2026 às 08:41 | Atualizado em: 16/03/2026 às 08:44

O empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em cenários de segundo turno nas pesquisas recentes tem diferentes explicações, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

Levantamentos divulgados nas últimas semanas mostram a disputa equilibrada. Pesquisa do Datafolha aponta Lula com 46% das intenções de voto contra 43% de Flávio. Já sondagem da Quaest indica 41% para cada candidato. Em ambos os casos, a diferença está dentro da margem de erro.

Para analistas, um dos fatores é a consolidação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro nos últimos meses. O nome do senador ganhou força após o apoio público do ex-presidente Jair Bolsonaro, que reiterou a escolha do filho como representante do grupo político.

“Antes, o antipetista não estava identificando muito bem o seu candidato, mas isso mudou de dezembro para cá”, afirmou Mayra Goulart, cientista política da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Outro elemento apontado é a saída do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), da disputa presidencial. Após declarar apoio ao senador, Tarcísio ajudou a consolidar Flávio como um dos principais nomes da direita para 2026.

“O Bolsonaro conseguiu fazer uma transferência de votos boa e rápida para o Flávio”, disse Luciana Chong, diretora do Datafolha.

Pesquisas também indicam maior aceitação do senador dentro do eleitorado bolsonarista. Em dezembro, 54% dos entrevistados pela Quaest avaliavam negativamente a escolha de Flávio como candidato. Três meses depois, esse índice caiu para 47%.

Enquanto o senador crescia nas sondagens, analistas avaliam que o presidente enfrentou desgastes recentes. Entre os fatores citados estão debates políticos envolvendo o governo e episódios que reforçaram críticas da oposição.

Também pesa, segundo especialistas, o início do ano marcado pela cobrança de tributos como IPTU e IPVA, período que costuma gerar insatisfação entre parte do eleitorado.

Por outro lado, o impacto político da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, sancionada no fim de 2025, ainda não aparece de forma significativa nas pesquisas.

Apesar do empate nas simulações, analistas avaliam que a eleição ainda está distante do cotidiano da maioria da população e que o cenário deve sofrer muitas mudanças.

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Foto: Evaristo Sá/AFP e Edilson Dantas/O Globo

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