Falta de licença ambiental leva Petrobrás a explorações no exterior
Alerta é da Federação Única dos Petroleiros. Investimentos na margem equatorial superam R$ 1 bilhão
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 13/10/2025 às 14:15 | Atualizado em: 13/10/2025 às 14:20
A Federação Única dos Petroleiros (Fup) trouxe nesta segunda-feira (13 de outubro) uma preocupação dos trabalhadores, da Petrobrás e do governo federal.
Tal preocupação revela que o cenário atual do setor de exploração de petróleo, em território brasileiro, acendeu a luz amarela com relação ao futuro da companhia.
Isso porque projetos exploratórios de grande porte não avançam porque não conseguem licença ambiental para operar.
“Com isso, praticamente todos os projetos de exploração da Petrobrás para 2028-2029 estão direcionados para o exterior. Isso vem deslocando investimentos e oportunidades que poderiam fortalecer a indústria e a soberania energética nacional”, alerta o coordenador-geral da Fup, Deyvid Bacelar.
Desse modo, o dirigente sindical cita como principal exemplo os custos crescentes que os atrasos no licenciamento ambiental vêm impondo à Petrobrás no bloco FZA-M-59, na margem equatorial.
A área, localizada no litoral do Amapá, é onde a Petrobrás visa realizar perfuração exploratória de petróleo no mar.
Assim, Bacelar afirma que investimentos em meio ambiente na margem equatorial, na foz do Amazonas, superam R$ 1 bilhão.
Sonda de perfuração
A Fup informa que o contrato de aluguel da sonda de perfuração, firmado pela Petrobrás, vence no próximo dia 21 de outubro.
O equipamento está parado no litoral do Amapá, aguardando autorização do órgão ambiental para realização do simulado preventivo em poço pioneiro.
O custo adicional para a Petrobrás, a cada dia de sonda parada, é de cerca de R$ 4 milhões.
Desde 2022, quando a estatal assumiu a operação do bloco, foram aplicados mais de R$ 1 bilhão, somente com atividades relacionadas ao licenciamento ambiental.
Desse montante, são gastos R$ 543 milhões com aluguel da sonda de perfuração, R$ 327 milhões com embarcações e R$ 142 milhões com serviços aéreos.
“Esses valores demonstram o compromisso da Petrobrás com a segurança ambiental, mas também reforçam a urgência de decisões técnicas ágeis por parte dos órgãos responsáveis. As etapas necessárias para explorar, com segurança, essa nova fronteira energética do país não podem ser travadas por questões administrativas ou indefinições regulatórias”, diz o coordenador-geral da Fup, Deyvid Bacelar.
Obtenção de licença
Na avaliação da entidade dos petroleiros, a questão é sempre a mesma: a dificuldade em obter licenciamento ambiental na foz do Amazonas e em outras áreas sensíveis.
Por outro lado, a área de exploração da Petrobrás não adquire blocos em bacias sedimentares já conhecidas, como Sergipe, Campos, Solimões e Espírito Santo”, diz o dirigente da Fup.
“Projetos exploratórios de grande porte não avançam porque não conseguem licença ambiental para operar, enquanto projetos menores acabam sendo postergados, como Seap (Sergipe Águas Profundas, na Bacia Sergipe-Alagoas) Albacora, Barracuda e Marlim Leste (na Bacia de Campos), cuja revitalização foi adiada para depois de 2030”, afirma Bacelar.
Paralisia exploratória
Segundo ele, esse quadro traz uma preocupação central: se nada mudar, o país terá enormes dificuldades para reverter a paralisia exploratória.
Diz ainda que a Petrobrás corre o risco de perder protagonismo no Brasil e ficar excessivamente dependente de ativos internacionais, enfraquecendo sua capacidade de gerar riqueza, empregos e desenvolvimento no país.
“Não produzir petróleo no Brasil fará com que esse mercado seja ocupado por outros países. Significa que não teremos recursos para pesquisa e desenvolvimento. As bacias de Campos, do Espírito Santo e de Santos não são eternas”, alerta Bacelar.
Por fim, o dirigente da Fup lembra que o Brasil hoje é o país que produz petróleo com a menor pegada de carbono entre os grandes produtores do mundo, consequentemente emitindo menos gases de efeito estufa.
*Com informações da Federação Única dos Petroleiros (Fup).
Foto: Divulgação
