Governo do Amazonas rebate David Almeida e nega perseguição política

Executivo estadual classifica como "irresponsável" a tentativa de politizar investigação sobre crime organizado.

Wilson Lima estanca sinais de renúncia

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 23/02/2026 às 17:28 | Atualizado em: 23/02/2026 às 17:30

O Governo do Amazonas veio a público, nesta segunda-feira (23 de fevereiro) repudiar com veemência as declarações do prefeito de Manaus, David Almeida, que acusou setores políticos de tentarem distorcer fatos e criar narrativas mentirosas para atingir sua honra.

A manifestação do Executivo estadual ocorre após a deflagração da operação Erga Omnes, na última sexta-feira (20 de fevereiro), conduzida pela Polícia Civil do Amazonas.

A ação polícia prendeu integrantes apontados como o núcleo político da facção criminosa Comando Vermelho no estado, entre eles a investigadora Anabela Cardoso Freitas, que comandava agenda oficial do prefeito David Almeida.

Em sua manifestação pública, o Governo do Estado afirma:

“É inaceitável que, diante de investigações consideradas sérias e respaldadas legalmente, o prefeito ataque o governo, o governador [Wilson Lima] e as forças de segurança de forma irresponsável e sem qualquer comprovação”.

Ressalta, ainda que a Polícia Civil atua com autonomia, com base em provas e sob autorização do Poder Judiciário, destacando que eventuais prisões ocorrem dentro do devido processo legal.

Sem perseguição política

A reação do Estado também rebate a narrativa de perseguição política:

“Sugerir motivação política nas ações policiais, sem apresentação de evidências, seria uma tentativa de desacreditar o trabalho técnico dos servidores da segurança pública. O Governo do Amazonas não permitirá que a verdade seja distorcida para atender interesses políticos ou eleitorais”.

A reação do Governo do Amazonas se dá porque o prefeito David Almeida acusa o Estado de tentar denegrir sua imagem no momento em que ele se apresenta como pré-candidato ao governo do Amazonas.

Nesta segunda-feira (23 de fevereiro), David Almeida, renunciou ao cargo de prefeito de Manaus para concorrer a governador em outubro deste ano.

Ao mesmo tempo, o atual governador Wilson Lima (União Brasil) poderá renunciar ao cargo, até 4 de abril, para disputar uma das duas vagas ao Senado.

Além disso, Wilson Lima está patrocinando a candidatura do vice-governador Tadeu de Souza – que deixou o Avante, de David Almeida, e se filiou ao Progressistas (PP), que faz federação com o União Brasil.

Reflexos da Erga Omnes

A operação Erga Omnes foi deflagrada na sexta-feira, 20 de fevereiro, e teve como alvo pessoas apontadas como integrantes de um braço político do crime organizado no Amazonas. Entre os presos está a investigadora Anabela Cardoso Freitas.

As apurações indicam suposta relação de agentes públicos com a facção criminosa, incluindo movimentações financeiras investigadas pelas autoridades.

Reportagens publicadas pelo BNC Amazonas mostram que a operação atingiu a estrutura da Prefeitura de Manaus e provocou o cancelamento de compromissos oficiais do prefeito.

Também revelou a suspeita de que uma assessora ligada à gestão municipal teria transferido R$ 1,5 milhão para integrantes do Comando Vermelho, fato que integra o escopo das investigações.

No dia da deflagração policial, David Almeida afirmou que 1setores da política tentam distorcer fatos para criar narrativas mentirosas e atingir a honra de quem tem trabalhado com responsabilidade pela cidade.

O prefeito também criticou a condução das investigações e classificou as acusações como parte de um ataque político.

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Leia a seguir, a íntegra da nota oficial do Governo do Amazonas:

“O Governo do Amazonas repudia com veemência as declarações feitas pelo prefeito David Almeida, que optou por atacar o Governo, o Governador do Estado e as Forças de Segurança Pública de forma irresponsável e sem qualquer comprovação.

É inaceitável que, diante de investigações sérias conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas, que atua com autonomia e respaldo legal, o prefeito tente criar uma narrativa de perseguição política para desviar o foco dos fatos.

A Polícia Civil do Amazonas não age por motivação política. Age com base em provas, procedimentos legais e responsabilidade técnica. Todas as medidas adotadas seguem o devido processo legal, e eventuais prisões só ocorrem com autorização do Poder Judiciário. Sugerir o contrário, sem apresentar qualquer evidência, é uma tentativa leviana de desacreditar o trabalho de servidores públicos que dedicam suas vidas à segurança da população.

O momento exige equilíbrio e maturidade. É compreensível que o prefeito esteja abalado diante das circunstâncias que envolvem pessoas de sua confiança, em investigações relacionadas ao crime organizado. Porém, o Governo do Amazonas não permitirá que a verdade seja distorcida para atender interesses políticos ou eleitorais.

O Governo do Estado seguirá trabalhando com responsabilidade, fortalecendo a Segurança Pública e respeitando a autonomia dos órgãos de investigação e do Poder Judiciário”.

Foto: Reprodução/Facebook