Lula articula alianças e cogita trocar vice para isolar Flávio Bolsonaro

Presidente atua em duas frentes para ampliar base política, atrair o MDB e fortalecer projeto de reeleição

Lula articula alianças e cogita trocar vice para isolar Flávio Bolsonar

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 08/02/2026 às 11:40 | Atualizado em: 08/02/2026 às 11:40

O presidente Lula da Silva (PT) deu início a uma operação política em duas frentes com o objetivo de fortalecer sua candidatura à reeleição em 2026 e, ao mesmo tempo, isolar seu principal adversário no campo conservador, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

De um lado, Lula busca afastar os principais partidos do centrão de uma eventual candidatura de Flávio. A estratégia é reduzir o espaço político do senador, limitando alianças e tempo de exposição na propaganda eleitoral. A informação foi divulgada pelo Estado de Minas.

Do outro, o presidente se mostra disposto a ampliar ainda mais sua própria base, mesmo que isso implique em decisões sensíveis dentro do campo governista.

O movimento mais delicado envolve a possibilidade de mudar o vice de sua chapa. Lula tem sido receptivo à ideia de substituir o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), para tentar atrair formalmente o MDB.

Dessa maneira, a entrada do partido na coligação garantiria mais tempo de campanha na TV e reforçaria o discurso de “frente ampla” que marcou a vitória petista em 2022.

Internamente, a orientação do presidente já foi assimilada pela cúpula do PT. A palavra de ordem é ampliar ao máximo o arco de alianças. Articuladores do partido avaliam que a maior parte do eleitorado já está polarizada e que cerca de 10% dos votos ainda estão em disputa, o que torna cada apoio estratégico.

“Temos que trabalhar, fazer alianças para ganhar as eleições. Não estamos com essa bola toda em todos os estados, tem estados que precisamos compor. A gente precisa decidir se quer ganhar ou se quer perder. Como eu quero ganhar, Edinho [Silva, presidente do PT], você vai ter que fazer as alianças”, afirmou Lula durante o evento de aniversário do partido, realizado no sábado (7).

A tentativa de atrair o MDB, no entanto, esbarra em obstáculos políticos. Além da relação próxima de Lula com Alckmin — que deseja permanecer na chapa em caso de reeleição —, setores influentes do MDB, como os diretórios de São Paulo e do Rio Grande do Sul, resistem a uma aliança formal com o PT.

Mesmo assim, portanto, o presidente sinaliza que está disposto a negociar, indicando que a montagem da chapa de 2026 será marcada por disputas internas e intensas articulações nos bastidores.

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