Manaus tem um novo prefeito

Renato Junior anuncia gestão de continuidade, mas diz que tem jeito próprio de gerir.

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 31/03/2026 às 13:18 | Atualizado em: 31/03/2026 às 13:34

Renato Junior chega ao comando da Prefeitura de Manaus carregando uma combinação que tem sido destacada nos bastidores políticos da capital: juventude e experiência administrativa. Até então um dos principais nomes do núcleo de confiança de David Almeida, ele construiu sua trajetória recente à frente de duas das pastas mais estratégicas da gestão — Produção e Abastecimento e, posteriormente, Infraestrutura.

Foi nesta última que ganhou maior visibilidade pública, conduzindo obras estruturantes e atuando diretamente em demandas sensíveis da população, como recuperação viária e drenagem. Paralelamente, consolidou-se como um articulador político habilidoso, frequentemente atuando como linha de frente nas negociações e embates políticos que envolveram a administração municipal nos últimos anos. Nas campanhas eleitorais, era visto como o “escudo” de Almeida nos bastidores, papel que reforçou sua imagem de negociador.

Agora, alçado ao cargo máximo do Executivo municipal após a renúncia de David Almeida para disputar o Governo do Amazonas, Renato assume com discurso de continuidade, mas sinalizando mudanças na engrenagem administrativa.

Na primeira entrevista coletiva como prefeito, concedida logo após a posse, Renato Junior deixou claro que pretende manter o rumo da gestão anterior, ao mesmo tempo em que prepara ajustes internos. A principal sinalização nesse sentido foi o anúncio de uma reforma administrativa.

Segundo ele, a reestruturação será necessária, sobretudo, em razão do afastamento de secretários e subsecretários que devem disputar as eleições deste ano. “Essas vagas serão ocupadas por outras pessoas com a mesma qualidade e capacidade”, afirmou, destacando que as mudanças serão feitas gradualmente e sem ruptura brusca com a equipe herdada.

Renato também fez questão de afastar qualquer leitura de rompimento político. Disse ter recebido “total liberdade” do antecessor para montar o novo secretariado, mas ressaltou o compromisso com a continuidade das entregas.

“Nós nos reinventamos em algumas secretarias para dar continuidade ao trabalho exitoso que vem sendo feito”, declarou.

Além da reorganização interna, o novo prefeito antecipou que pretende enviar projetos à Câmara Municipal, especialmente na área de planejamento urbano. Entre os focos estão a organização da expansão urbana, regras para novos empreendimentos e medidas para reduzir impactos no trânsito.

“Manaus é uma metrópole e precisa ser tratada como tal”, afirmou.

Outro ponto abordado foi a relação com o Legislativo. Renato sinalizou estabilidade política ao confirmar a manutenção da base aliada na Câmara, destacando a importância dos vereadores na sustentação da gestão.

No campo das políticas públicas, ele reforçou que a administração seguirá priorizando áreas como infraestrutura, saúde, educação e assistência social. A recuperação viária, especialmente nas zonas Norte e Leste, aparece como uma das principais frentes de atuação imediata, com intensificação de operações como o tapa-buraco durante o verão.

A coletiva também evidenciou uma preocupação com questões ambientais, especialmente a poluição dos igarapés. Renato defendeu o fortalecimento de políticas de educação ambiental e anunciou a ampliação de eco-barreiras em pontos críticos da cidade.

“O maior ativo da nossa cidade são os rios e os igarapés”, afirmou, ao destacar que o problema do descarte irregular de lixo ainda é um desafio cultural.

Apesar do discurso de continuidade, o novo prefeito buscou marcar um estilo próprio de gestão. Disse que pretende governar com escuta ativa, dialogando tanto com aliados quanto com a oposição e a população. “Eu tenho meu jeito de gerir, ouvindo as pessoas, indo bairro a bairro”, declarou.

Ao assumir o cargo com cerca de dois anos e nove meses de mandato pela frente e um orçamento estimado em bilhões, Renato Junior inicia sua gestão equilibrando dois eixos: preservar o legado político que o levou ao cargo e imprimir mudanças administrativas que consolidem sua própria marca à frente da Prefeitura de Manaus.

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Foto: BNC Amazonas