O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) denunciou o ex-governador José Melo (Pros) e os ex-secretários Evandro Melo, Afonso Lobo, Raul Zaidan, Pedro Elias e Wilson Alecrim à Justiça Federal por participação em organização criminosa que desviou mais de R$ 100 milhões de recursos da saúde do estado.

A operação Maus Caminhos, em 2016, abriu o caminho para o oferecimento da denúncia nesta terça, dia 6.

A ex-primeira-dama Edilene Oliveira, esposa de Melo, também foi denunciada, mas não por integrar a organização criminosa. Ela é acusada de obstruir as investigações no episódio de arrombamento de cofres guarda-volumes.

A denúncia também envolve o ex-secretário-executivo de Saúde (Susam) José Duarte dos Santos Filho e as servidoras da secretaria Ana Cláudia da Silveira Gomes e Keytiane Evangelista de Almeida, esta que chegou a ser secretária-executiva-adjunta do Fundo Estadual de Saúde.

Na ação, o MPF pede a condenação dos denunciados pelo crime previsto na Lei nº 12.850, de 2 de agosto de 2013, que prevê pena de três a oito anos de prisão a quem “promover, constituir, financiar ou integrar” organização criminosa.

A denúncia é resultado das operações Custo Político e Estado de Emergência, deflagradas pela Polícia Federal, em conjunto com o MPF e a Controladoria-Geral da União (CGU), com o objetivo de investigar o envolvimento de políticos do Amazonas no esquema de corrupção desvendado pela operação Maus Caminhos.

O procurador da República Alexandre Jabur, que apresentou à imprensa a denúncia que estava sendo levada à Justiça, disse que as investigações não detectaram a participação de nenhum político com prerrogativa de foro.

Conforme o MPF, durante o governo Melo os gestores públicos denunciados eram diretamente beneficiados por um esquema de distribuição de propina e outras vantagens, sob operação do médico Mouhamad Moustafa, o líder da organização criminosa.

Confira a denúncia do MPF na íntegra.

 

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Foto: Reprodução/MPF