Ministro que comanda a Suframa anuncia a saída do cargo

A mudança no comando do MDIC tem relevância estratégica para o Amazonas

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 27/03/2026 às 16:33 | Atualizado em: 27/03/2026 às 16:33

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), anunciou nesta sexta-feira (27), em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo, que deixará ainda hoje o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A decisão marca uma inflexão política com impactos diretos para a região Norte, especialmente para a condução das políticas da Superintendência da Zona Franca de Manaus.

A saída de Alckmin ocorre em meio à sua estratégia de permanecer como vice na chapa do presidente Lula da Silva (PT) em uma eventual disputa pela reeleição. Durante o evento, ele reforçou que não pretende concorrer a outros cargos eletivos e que seguirá como parceiro político de Lula.

Nos bastidores, a expectativa é de que o atual secretário-executivo da pasta, Márcio Elias Rosa, assuma o ministério. A confirmação oficial ainda depende de publicação no Diário Oficial da União nos próximos dias.

Impacto direto na Zona Franca de Manaus

A mudança no comando do MDIC tem relevância estratégica para o Amazonas. O ministério é responsável pela supervisão da Suframa, órgão central na gestão dos incentivos fiscais e no planejamento do modelo econômico da Zona Franca de Manaus.

A eventual troca de comando pode influenciar decisões sobre:
• – Política de incentivos fiscais, essenciais para a competitividade do Polo Industrial de Manaus (PIM);
• – Atração de novos investimentos, sobretudo em setores de tecnologia e eletroeletrônicos;
• – Relação com o Congresso, especialmente em pautas que envolvem a manutenção das vantagens tributárias da região.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a transição tende a ser acompanhada de perto por empresários e lideranças locais, já que mudanças de orientação no MDIC podem alterar prioridades na política industrial nacional.

Continuidade ou mudança de rumo

Apesar da expectativa de substituição por um nome da própria equipe técnica, o que pode indicar continuidade administrativa, há incertezas sobre o grau de autonomia do novo ministro e sua capacidade de articulação política em Brasília — fator considerado crucial para a defesa da Zona Franca.

Para o setor produtivo do Amazonas, o momento é de cautela. A saída de Alckmin ocorre em um período de debates sobre reforma tributária e reindustrialização, temas diretamente ligados ao futuro do modelo Zona Franca.

A oficialização da mudança deverá trazer mais clareza sobre os rumos da política industrial e seus reflexos para Manaus e toda a região Norte.

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