‘Periferia versus bacana’ pode ser o mote da campanha de David Almeida

Para sustentar a tese de que a periferia governa melhor que a elite, David listou uma série de entregas

‘Periferia versus bacana’ pode ser o mote da campanha de David Almeida

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 31/03/2026 às 13:09 | Atualizado em: 31/03/2026 às 13:09

Em um movimento que redesenha o tabuleiro eleitoral do Amazonas para 2026, David Almeida utilizou seu discurso de renúncia à Prefeitura de Manaus para consolidar uma nova e agressiva estratégia política. Se em 2018 e 2020 o mote era o “novo contra a velha política”, o agora ex-prefeito finca bandeira em um antagonismo social e geográfico: a periferia contra os “bacanas”.

Ao formalizar sua saída para alçar voos estaduais, David não apenas prestou contas; ele entregou o bastão ao seu sucessor, Renato Júnior, sob a benção de uma origem comum, e disparou contra a gestão de seu ex-aliado, o governador Wilson Lima (União).

“Filhos de Feirantes” vs. “Elite”

A tônica do discurso foi o ressentimento social transformado em plataforma política. David abandonou a estética da renovação geracional para focar na luta de classes regional. Ao referir-se repetidamente aos adversários como “bacanas” e “filhos de bacanas”, ele busca criar um cordão sanitário entre sua gestão e a elite tradicional.

“Antes só mandavam na cidade os bacanas e os filhos dos bacanas. Hoje o filho do servidor público administra a prefeitura e o filho de um feirante assumirá a gestão”, pontuou David, em clara alusão a Renato Júnior.

Na quarta-feira passada, dia 25, ele fez discurso lançando esse mote. No ocasião, ao seu lado, estava o senador Eduardo Braga (MDB), que é da elite política e empresarial do Amazonas. Na ocasião, ele disse: “Eu não sou filho de grupos empresariais, políticos. O povo é que é a minha origem”, afirmou.

Essa estratégia visa blindar sua rejeição nos bairros nobres e fidelizar o voto nos “grotões”, onde o discurso do “um dos nossos” possui maior eco emocional e eleitoral.

Ruptura com Wilson Lima e o “Desperta Amazonas”

O discurso reiterou o divórcio com o Governo do Estado. Sem citar nomes diretamente em tom de insulto, mas atacando a eficiência da máquina estadual, David justificou sua renúncia pela “necessidade de cuidar do estado”.

Ele contrastou os números da capital com o que chamou de “pior educação do Brasil” e a “violência desenfreada” no interior, áreas de responsabilidade de Wilson Lima.

O lançamento do movimento “Desperta, Amazonas”, citado por ele, pode ser o embrião do tema de sua candidatura ao Governo, posicionando-se como o gestor que “faz” contra os que “vivem de vídeo na internet”.

Transmissão de protagonismo: o fator Renato Júnior

Num gesto de desprendimento calculado, David utilizou a metáfora bíblica de João Batista e Jesus para transferir os holofotes a Renato Júnior. Ao afirmar “importa que eu diminua e ele cresça”, David tenta garantir que a continuidade da prefeitura seja vista como uma extensão de seu DNA popular, preparando o terreno para que Renato mantenha a máquina funcionando como sua principal vitrine eleitoral.

Balanço de Gestão

Para sustentar a tese de que a periferia governa melhor que a elite, David listou uma série de entregas, enfatizando que Manaus saiu do “caos da pandemia” para o topo de rankings nacionais.

Principais pontos citados:
– Saúde: elevação da cobertura da atenção primária de 47% para 92%, sendo eleita a melhor saúde básica do Brasil pelo Ministério da Saúde.
– Educação: criação de 9.000 vagas em creches (quase o dobro das gestões anteriores somadas) e climatização de 100% das salas de aula.
– Infraestrutura: recuperação de mais de 7.000 ruas e o asfaltamento de ramais.
– Transporte: entrega de quase 600 ônibus (550 com ar-condicionado) e criação do Passe Livre Estudantil.
– Segurança: armamento da Guarda Municipal e renovação da frota (de 2 para 80 veículos).
– Habitação: entrega de unidades com “kit completo” (geladeira, TV, fogão) e regularização fundiária de 15 mil imóveis.
Social: implementação do “Prato do Povo” com 5 milhões de refeições servidas.

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Foto: BNC Amazonas