Petróleo dispara quase 30% na semana com crise no Oriente Médio

Tensão entre Donald Trump e o Irã eleva preços do barril e acende alerta global de recessão

Produção de petróleo e gás do país é recorde, diz ANP

Publicado em: 06/03/2026 às 23:09 | Atualizado em: 06/03/2026 às 23:25

Os preços do petróleo registraram forte alta nesta semana, com avanço de cerca de 30%, alcançando o maior patamar desde 2023. A disparada foi impulsionada pelo bloqueio de rotas estratégicas no Oriente Médio e pela escalada das tensões geopolíticas na região.

A disparada ganhou força após declarações do presidente americano Donald Trump, que exigiu a “capitulação” do Irã. O aumento da pressão política agravou o cenário de insegurança na região e afetou o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo produzido no mundo.

Analistas do mercado financeiro alertam para possíveis impactos na economia global. Para Ole R. Hvalbye, do banco SEB, a crise já começa a assumir proporções preocupantes. “Já vimos situações semelhantes antes, mas esta está começando a adquirir dimensões dramáticas, especialmente pelas consequências de longo prazo”, avaliou.

Economistas do JPMorgan afirmam que a crise deixou de ser apenas um risco geopolítico e já provoca “perturbações operacionais tangíveis” no mercado de energia.

Impacto na oferta global

A tensão também começa a afetar diretamente a produção de petróleo nos países do Golfo. O Iraque reduziu o fornecimento em 1,5 milhão de barris por dia, enquanto o Kuwait atingiu o limite de armazenamento e precisou suspender parte de sua capacidade de refino.

Apesar do cenário crítico, analistas avaliam que os estoques globais ainda podem amortecer o impacto no curto prazo. Segundo Jason Gabelman, da TD Cowen, as reservas atuais são suficientes para cobrir cerca de um mês de interrupção total no Estreito de Ormuz.

Medidas emergenciais

Diante da escalada da crise, alguns países já começaram a adotar medidas para proteger seus mercados internos.

A China determinou a suspensão temporária das exportações de combustíveis, como diesel e gasolina, para evitar desabastecimento doméstico, segundo informações da Bloomberg.

Os Estados Unidos também autorizaram a Índia a comprar petróleo russo sancionado por um período de um mês, como forma de garantir o abastecimento do país asiático.

Enquanto isso, a Marinha americana avalia iniciar operações de escolta a navios mercantes na região. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que a medida será adotada “assim que for razoável”, embora especialistas do Eurasia Group alertem que o tráfego marítimo na região dificilmente voltará ao normal no curto prazo.

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Foto: divulgação/Petrobrás