PF descobre elos do crime organizado com fraudes do Master
Segundo o BC, as operações serviram para inflar ativos de forma artificial e devolver recursos ao controle do dono do banco e de seus diretores
Publicado em: 09/01/2026 às 22:28 | Atualizado em: 10/01/2026 às 07:52
Uma denúncia do Banco Central ao Ministério Público Federal (MPF) aponta que quatro fundos investigados por ligação com o crime organizado integraram um esquema de fraude envolvendo o Banco Master, com operações suspeitas que podem alcançar R$ 11,5 bilhões.
Segundo o BC, as transações teriam sido estruturadas para inflar artificialmente ativos e permitir que os recursos retornassem ao controle do dono do banco, Daniel Vorcaro, e de diretores da instituição.
De acordo com a apuração, os fundos suspeitos são administrados pela Reag DTVM, empresa que já foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro ligada à máfia dos combustíveis e ao PCC.
O esquema consistiria em conceder empréstimos a empresas, que aplicavam os valores em fundos responsáveis por adquirir ativos de baixa liquidez e sobrevalorizados, criando uma falsa aparência de capitalização do banco.
O Banco Central afirma haver indícios de crimes contra o sistema financeiro, além de falhas graves e deliberadas na gestão de riscos, com elevada concentração de crédito e garantias frágeis. Essas operações teriam sido usadas para justificar aportes exigidos pelo próprio BC nos meses que antecederam a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro por insolvência e irregularidades graves.
O caso também chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU), que chegou a autorizar uma inspeção técnica no Banco Central, posteriormente suspensa após questionamentos e a abertura de um processo de mediação.
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Foto: divulgação
