Aguinaldo Rodrigues, da Redação

 

Aquilo que o superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa) repete como um mantra desde que ganhou o cargo do compadre-presidente da República, de que é preciso a ZFM buscar outros caminhos de sobrevivência que não os incentivos fiscais, tinha um sentido. E ele se revela agora para os que não acreditavam que a ideia é mesmo extinguir o único modelo de desenvolvimento criado para a região Norte. Em seu lugar, polos segmentados.

No lugar de um dos maiores parques tecnológicos da América Latina, onde estão as maiores marcas mundiais de diversos ramos, vão surgir polos de exploração dos recursos naturais da Amazônia, como piscicultura, mineração, turismo e outros.

É o plano Dubai, preparado pela Secretaria de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec), do Ministério da Economia de Paulo Guedes, o ministro que nunca escondeu sua antipatia pela ZFM, embora ainda há quem dê crédito às suas declarações de que o modelo está protegido.

Esse plano acaba com os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, conforme publica a Folha de S.Paulo na tarde desta segunda, dia 10.

 

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As novas matrizes da Suframa

São cinco os polos econômicos que substituirão a ZFM: biofármacos, turismo, defesa, mineração e piscicultura.  Na ideia do Dubai, até 2073, o prazo de validade do polo industrial do Amazonas, as novas empresas gerem o subsídio hoje concedido ao modelo, de cerca de R$ 25 bilhões por ano.

O governo Bolsonaro imagina criar na Amazônia o mesmo plano do emirado árabe, que prevendo o fim das reservas de petróleo, construiu Dubai para ser o centro de um polo turístico e financeiro. Resta ver se a disposição de investimento será o mesmo dos governantes árabes.

“A ideia é, a modelo do que Dubai fez, darmos suporte para atividades que sejam viáveis daqui a 50 anos, gerem rentabilidade, empregabilidade e inovação tecnológica”, diz a Sepec, nova gestora da ZFM na era Bolsonaro.

Outro filão que a política liberal de Paulo Guedes está de olho é a riqueza mineral da Amazônia.

 

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Agenda do plano

Passada a batalha da reforma previdenciária, o ministério de Guedes já anunciou que a ZFM é a primeira da lista na revisão dos incentivos tributários. Mas, antes, logo no início de julho, a Sepec já vai colocar o coronelato da Suframa para engatar conversas com o empresariado local para testar a aceitação da ideia.

Leia mais na Folha.

 

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