PSDB quer ressurgir com Ciro Gomes, mas vive ‘apagão’ de lideranças no AM

Aécio Neves convidou ontem Ciro a disputar o Planalto pelo PSDB, mas tucanos enfrentam vazio político no Amazonas

PSDB quer ressurgir com Ciro Gomes, mas vive 'apagão' de lideranças no AM

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 16/04/2026 às 08:22 | Atualizado em: 16/04/2026 às 08:22

O presidente nacional do PSDB, o deputado Aécio Neves, formalizou nesta quarta-feira (15) um convite ao ex-ministro Ciro Gomes para que dispute a Presidência da República em 2026 pela legenda. A articulação ocorre em meio à tentativa do partido de se reposicionar no chamado “centro democrático” e voltar a protagonizar a corrida presidencial.

O convite foi feito após reunião da bancada tucana na Câmara dos Deputados. Segundo Aécio, a intenção é apresentar uma alternativa à polarização política e ampliar a presença nacional do partido na disputa.

Ciro, que retornou recentemente ao PSDB após anos fora da sigla, recebeu o gesto com cautela. O ex-governador afirmou que a proposta será avaliada, sem assumir compromisso imediato. Ele vinha estruturando sua atuação política com foco no cenário estadual do Ceará.

Em declarações públicas, ele indicou que não descarta a possibilidade, mas condicionou qualquer decisão a uma análise mais ampla do contexto político e econômico do país, além de consultas ao seu grupo político.

PSDB busca reconstrução nacional

O movimento liderado por Aécio ocorre em um momento de fragilidade do PSDB no cenário nacional. Após anos como uma das principais forças políticas do país, o partido perdeu protagonismo eleitoral e enfrenta dificuldades para viabilizar candidaturas competitivas.

A aposta em Ciro Gomes, que já disputou a Presidência em quatro ocasiões, é vista como uma tentativa de recuperar densidade eleitoral e ocupar espaço entre os principais polos da política brasileira.

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Amazonas sem palanque tucano

Se no plano nacional o PSDB tenta se reorganizar, no Amazonas o cenário é de esvaziamento político. Essa situação pode comprometer uma eventual campanha presidencial da sigla na região.

Historicamente, o partido teve como principal liderança no estado o ex-senador e ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto, um dos fundadores do PSDB. Hoje, porém, ele está no MDB, afastando-se da estrutura tucana local.

Atualmente, o único nome com mandato de relevância no partido no estado é o senador Plínio Valério. Ainda assim, aliados avaliam que o parlamentar não atua como um articulador orgânico da legenda, o que enfraquece a capacidade de mobilização partidária.

Sem quadros competitivos e com baixa capilaridade política, o PSDB tende a enfrentar dificuldades para montar palanque no Amazonas — um colégio eleitoral estratégico na região Norte.

Desafio regional

A ausência de lideranças fortes no estado pode limitar a presença de Ciro Gomes na região, caso aceite o convite. Em eleições presidenciais, a construção de palanques estaduais é considerada peça-chave para captação de votos, articulação política e estrutura de campanha.

Nesse contexto, a eventual candidatura tucana à Presidência pode nascer com alcance nacional pretendido, mas com fragilidades evidentes em estados onde o partido perdeu espaço — como é o caso do Amazonas.

Foto: divulgação