Relator foge do crime organizado para mirar ministros do STF
Texto final de Alessandro Vieira na CPI do crime organizado evita combate direto a facções e milícias para priorizar embate político contra integrantes da suprema corte
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 14/04/2026 às 15:39 | Atualizado em: 14/04/2026 às 15:39
O relatório final da CPI do crime organizado, apresentado nesta terça-feira (14 de abril) pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), frustra a expectativa da sociedade por medidas concretas contra o avanço das facções criminosas.
Em vez de propor estratégias para desarticular o poder de grupos que aterrorizam as periferias e exploram os mais vulneráveis, o documento desvia o foco para o Judiciário, pedindo o indiciamento de ministros do STF.
A manobra do relator ignora a realidade vivida pelo cidadão comum, que sofre diariamente com a extorsão de milícias, o avanço do narcotráfico e a violência de grupos de extermínio.
Ao centralizar o desfecho de uma comissão parlamentar de inquérito em figuras da corte constitucional, Vieira e seu relatório abandonam o interesse da população na segurança pública para alimentar uma agenda de confronto político.
Ainda que a conduta de membros do Judiciário deva ser fiscalizada, a percepção de insegurança e as consequências letais do crime organizado passam longe das salas do STF.
O desvio de finalidade do relatório final, encerrado sob a gestão de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), evidencia uma contradição institucional: o uso de uma estrutura pública de investigação para fins alheios ao combate das organizações que efetivamente controlam territórios e escravizam comunidades.
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Quem é o relator
Alessandro Vieira é senador e delegado da Polícia Civil. Ganhou projeção nacional com uma postura frequentemente associada ao lavajatismo, defendendo pautas de combate à corrupção com viés punitivista e oposição direta a ministros do STF.
Sua atuação é marcada pela tentativa de instalar a chamada “CPI da lava toga”, o que reforça as críticas de que utiliza o mandato para focar em retaliações ao Judiciário em detrimento de questões estruturais da segurança pública.
Às 16h13 deste dia o relatório ainda estava sendo lido, para depois ser votado. O BNC Amazonas vai informar o resultado.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
