Senado impõe derrota histórica a Lula e rejeita Jorge Messias para o STF

O Senado Federal barrou a indicação de Jorge Messias ao STF, impondo a Lula uma derrota inédita em 132 anos.

Publicado em: 29/04/2026 às 18:53 | Atualizado em: 29/04/2026 às 18:53

Em um movimento sem precedentes na história da redemocratização brasileira, o Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira, a indicação do ministro Jorge Messias (AGU) para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Foram 34 votos favoráveis — sete a menos que o necessário — e 42 contrários, marcando a primeira vez que um indicado à Corte é barrado desde 1894.

A derrota é atribuída a uma forte resistência da oposição e, especialmente, à atuação dos bastidores do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Segundo interlocutores, Alcolumbre teria se afastado do Palácio do Planalto após Lula preterir o nome de seu aliado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para a vaga aberta pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Sabatina na CCJ: Antes de chegar ao plenário, Messias obteve 16 votos na Comissão de Constituição e Justiça sob um clima de apreensão governista.

Movimentação de Alcolumbre: Senadores relataram que Alcolumbre operou ativamente junto a parlamentares do centro e indecisos para estimular o voto contrário.

Apoio Inócuo: Rodrigo Pacheco chegou a posar para fotos com Messias e oficializar o apoio do PSB, mas o gesto não foi suficiente para reverter o placar.

Impacto Político

O revés ocorre em um momento delicado para o presidente Lula, a menos de seis meses das eleições, e evidencia uma crise na base de governabilidade no Congresso.

Aliados admitem que a rejeição traz danos à imagem do Executivo e coloca em dúvida o capital político do petista frente ao centro.

Postura de Messias

Durante a sabatina, Jorge Messias tentou sinalizar aos setores conservadores e à oposição ao defender mudanças no funcionamento do STF, condenar o aborto e citar Deus repetidamente em seus discursos. Ele também elogiou nominalmente Pacheco pela condução de pautas que restringem poderes do Judiciário, em uma tentativa de distensionar a relação com a cúpula da Casa, que acabou não sendo efetiva.

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Foto: Lula Marques/Agência Brasil.