Os shows dos artistas sertanejos Jefferson Moraes, Matheus & Kauan, Israel Novaes e Rafaela Miranda, ocorridos entre novembro de 2015 e fevereiro de 2016, foram usados para lavar dinheiro no Amazonas. A denúncia é do Ministério Público Federal (MPF).

De acordo com a ação penal,  os empresários Mouhamad Moustafa e Priscila Marcolino Coutinho, envolvidos na operação Maus Caminhos, negociaram direitos relativos aos resultados financeiros de artistas sertanejos para ocultar a origem de mais de R$ 17 milhões, desviados da saúde do estado.

A negociação aconteceu mediante contraprestação parcelada, fundamentada em cheques ao portador, com a intenção de ocultar e dissimular a utilização de recursos provenientes dos crimes de peculato que praticou.

 

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Desses mais de R$ 17 milhões, foram efetivamente pagas parcelas que totalizaram R$ 6,195 milhões, tendo em vista a deflagração da primeira fase da operação Maus Caminhos, em setembro de 2016, que desbaratou o esquema e impediu o restante dos pagamentos.

“Destaca-se que, em todos esses contratos, consta a obrigação de, inicialmente, Mouhamad adimplir integralmente com o preço da cessão de direitos para, só no futuro, passar a receber eventuais resultados financeiros oriundos do trabalho dos artistas, o que configura um investimento altamente arriscado e antieconômico, haja vista o longo prazo estabelecido para o retorno e a dependência do sucesso financeiro dos artistas para a geração de lucro”, ressalta trecho da ação penal, de autoria do procurador da República, Alexandre Jabur.

O MPF aponta ainda que, se o propósito fosse simplesmente obter rendimento de um total previsto de mais de 17 milhões de reais, Mouhamad teria muitos outros investimentos passíveis de serem realizados em instituições financeiras, com maior segurança, menor risco e maior retorno financeiro, o que indica que o negócio atendia a outros interesses que não o do lucro efetivo.

Matheus & Kauan

A denúncia relata que, de acordo com o empresário Marcos Aurélio Santos de Araújo, cedente dos direitos negociados, Mouhamad inicialmente o procurou durante um show da dupla Matheus & Kauan, demonstrando desejo se tornar investidor no ramo sertanejo. Embora a conversa não tenha prosperado inicialmente, tempos mais tarde, com a mediação de um advogado, houve a realização de tratativas e sucessivas negociações.

Quanto à participação de Priscila Marcolino, responsável financeira pela empresa Salvare Serviços Médicos Ltda. e chefe do núcleo financeiro da organização criminosa, o MPF indica, na ação, que ela emitiu os cheques utilizados para a lavagem de dinheiro relacionada ao contrato da cessão de direitos do artista Israel Novaes, prestando substancial auxílio a Mouhamad neste ato específico de lavagem.

A ação penal aguarda recebimento pela Justiça Federal. Mouhamad e Priscila foram denunciados pela prática do crime de lavagem de dinheiro, previsto no artigo 1º, §1º e §4º da Lei 9.613/98. O MPF também requer que os denunciados reparem os danos causados, devidamente atualizados, cujo valor original é de R$ 6,195 milhões.

 

Foto: Reprodução/Internet