Tarifaço dos EUA deve ter impacto mínimo na ZFM, diz governo
Tarifaço dos EUA deve ter impacto reduzido na ZFM, apontam Sedecti e Fieam com base em dados das exportações.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 16/07/2026 às 14:08 | Atualizado em: 16/07/2026 às 14:10
O aumento das tarifas de importação anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tende a produzir efeitos bastante limitados sobre o polo industrial de Manaus.
A avaliação consta em nota técnica elaborada pela Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (Sedecti).
Da mesma forma, a posição é reforçada pelo presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, que aponta a forte vocação da Zona Franca de Manaus para o abastecimento do mercado brasileiro como o principal fator de proteção diante da medida.
Os números, divulgados pelo Governo do Amazonas, mostram que apenas 1,7% do faturamento da ZFM é destinado às exportações.
Desse total, cerca de 6,5% têm como destino os Estados Unidos, o que significa que menos de 0,11% do faturamento total do polo industrial estaria sujeito às novas tarifas americanas.
Segundo a Sedecti, trata-se de um impacto marginal sobre a economia amazonense.
Outro fator que reduz os efeitos da medida é o perfil das exportações. Quase metade do valor embarcado para os Estados Unidos corresponde a motocicletas de competição, produzidas sob encomenda, segmento que, em princípio, não deve sofrer os efeitos diretos do tarifaço.
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Exportações perderam participação
Os dados da Sedecti mostram ainda uma redução da participação dos Estados Unidos nas exportações do Amazonas.
Mesmo com o crescimento das exportações totais do Amazonas no primeiro semestre de 2026, as vendas aos Estados Unidos permaneceram praticamente estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior, reduzindo ainda mais sua participação na pauta exportadora do estado.
Veja os dados

Motocicletas lideram as exportações
Entre os principais produtos exportados para os Estados Unidos estão:
• Motocicletas de competição: US$ 14,1 milhões
• Partes e acessórios automotivos: US$ 4,7 milhões
• Fibras ópticas: US$ 3,0 milhões
• Derivados de petróleo: US$ 2,3 milhões
• Castanha-do-Brasil e castanha de caju: US$ 2,1 milhões
Portanto, a diversidade da pauta exportadora e o peso relativamente reduzido desses embarques em relação ao faturamento global do polo industrial reforçam a avaliação de que o impacto direto será restrito.
Balança comercial favorece EUA
A nota técnica destaca ainda que a relação comercial entre a ZFM e os Estados Unidos é amplamente favorável aos americanos.
Até junho de 2026, o Amazonas importou cerca de US$ 625 milhões em produtos norte-americanos — aproximadamente 17 vezes mais do que exportou para aquele mercado.
Na avaliação da Sedecti, esse superávit comercial dos Estados Unidos relativiza os efeitos econômicos de uma eventual escalada das medidas tarifárias e reduz o potencial de prejuízo para a economia amazonense.
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Preocupação com câmbio
Embora descarte impactos relevantes sobre as exportações da ZFM, o presidente da Fieam alerta que o principal desafio pode surgir de forma indireta, caso o ambiente de tensão comercial provoque valorização do dólar e aumento dos custos de produção.
“O nosso modelo econômico é historicamente vocacionado para o abastecimento do mercado interno, de modo que as exportações para os Estados Unidos representam uma parcela reduzida do faturamento total do polo industrial”.
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ZFM protegida
Segundo Antônio Silva, o modelo da ZFM permanece protegido justamente porque sua produção é direcionada majoritariamente ao mercado brasileiro.
O dirigente empresarial lembra ainda que os incentivos fiscais da ZFM reduzem custos internos da cadeia produtiva, mas não têm alcance para impedir tarifas impostas por outros países.
“O principal risco está relacionado aos reflexos macroeconômicos indiretos dessa instabilidade geopolítica e à volatilidade cambial, visto que uma eventual e contínua valorização do dólar encarece diretamente a aquisição de insumos estrangeiros que sustentam o nosso modelo de produção”.
Na avaliação de Silva, portanto, o eventual impacto do tarifaço norte-americano sobre a economia amazonense tende a ocorrer mais pelo comportamento do câmbio e dos custos dos insumos importados do que por uma redução das exportações da ZFM.
Incerteza no mercado internacional
Segundo o presidente da Eletros, nos produtos eletroeletrônicos fabricados na ZFM o impacto direto do tarifaço norte-americano tende a ser muito baixo.
Isso porque a produção do polo é destinada predominantemente ao mercado brasileiro, e as exportações do setor para os Estados Unidos são residuais.
Ainda assim, a Eletros e toda a indústria amazonense acompanha o tema com atenção porque medidas tarifárias desse porte aumentam a incerteza no comércio internacional e podem produzir efeitos indiretos sobre cadeias de suprimentos, investimentos e custos de componentes.
“O mais importante é que Brasil e Estados Unidos busquem uma solução negociada, que preserve empregos, investimentos e a previsibilidade necessária à indústria dos dois países”, disse Nascimento Júnior.
Foto: José Paulo Lacerda/CNI
