Escassez de terrenos ameaça novos investimentos na ZFM

A limitação de terrenos no Distrito Industrial tornou-se um gargalo para a expansão da Zona Franca, elevando custos e preços.

Ana de Oliveira e Antônio Paulo, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 30/03/2026 às 19:05 | Atualizado em: 30/03/2026 às 19:08

A limitação de áreas disponíveis no Distrito Industrial de Manaus é considerada hoje como um dos principais gargalos estruturais para a expansão da Zona Franca de Manaus. Dessa forma, trata-se de um entrave à instalação de novos empreendimentos.

Esse ponto crítico foi exposto durante a 322ª reunião do Conselho de Administração da Suframa, realizada nesta segunda-feira (30 de março) em Manaus. O tema mobilizou governo, setor produtivo e representantes municipais em busca de soluções.

O superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, alertou para a necessidade de modernizar as regras de concessão de lotes e dar mais agilidade ao processo de ocupação das áreas industriais.

“Se a gente não adotar um procedimento mais dinâmico, mais célere, vamos perder áreas importantes, especialmente nos Distritos 2 e 3”, afirmou, ao defender mudanças na Resolução 102.

Essa proposta estava na pauta da reunião, mas um conselheiro pediu vista e a proposta não foi à votação do conselho. 

Segundo Montenegro, o modelo atual, baseado em licitações periódicas e ainda impactado por problemas fundiários, não acompanha o ritmo de crescimento da demanda por novos empreendimentos.

Sem colapso, mas há pressão

O titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (Sedecti), Serafim Correa, reconheceu a pressão sobre o mercado, mas afastou a ideia de colapso.

“Não há colapso. Agora, o preço dos galpões e terrenos subiu muito e é preciso aumentar a oferta para que os preços baixem. Esse aumento da demanda tem a ver com o novo ambiente institucional, pois, a segurança jurídica dada pelo presidente Lula e pelo ministro Geraldo Alckmin, aliada à reforma tributária, está atraindo novos investimentos à Zona Franca” destacou Serafim Correa.

Segundo o secretário, o tema está sendo tratado em articulação entre os entes públicos. Suframa, Sedecti e Prefeitura de Manaus estão em diálogo no mais alto nível e, em breve, haverá novidades.

Expansão territorial

O presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Souza, ampliou o debate ao defender que a solução para a escassez de áreas passa pela utilização de terrenos disponíveis em municípios próximos à capital.

“O estado do Amazonas não se resume a Manaus. Nós temos áreas disponíveis que podem ser aproveitadas, inclusive no entorno, como em Rio Preto da Eva”, afirmou.

Souza também criticou a subutilização de áreas originalmente destinadas ao distrito agropecuário, que, segundo ele, acabaram sendo concentradas sem gerar produção efetiva.

“Temos áreas que foram repassadas e nunca foram utilizadas. Precisamos rever isso e destravar esses espaços para permitir novos investimentos”, disse.

Ao mencionar municípios como Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo, o dirigente municipalista defendeu uma visão mais integrada do modelo Zona Franca, com expansão territorial e descentralização produtiva.

Pressão do setor produtivo

A preocupação também foi reforçada pelo presidente da Eletros, Jorge Nascimento Júnior, que classificou a falta de terrenos como um entrave imediato à expansão industrial.

“Hoje isso já é impeditivo. Empresas deixam de se instalar em Manaus por falta de área disponível”, afirmou.

Segundo ele, o cenário já era esperado diante do aumento da atratividade do polo após a reforma tributária.

“O ambiente melhorou, os investimentos estão chegando, mas a infraestrutura territorial não acompanhou”, completou Nascimento Jr.

Planejamento e competitividade

O presidente do Conselho Superior do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), José Augusto Rocha, reforçou a necessidade de planejamento estratégico para sustentar o crescimento.

“A indústria da Zona Franca está presente em praticamente todo o Brasil. Precisamos garantir as condições para que ela continue crescendo”, afirmou.

Foto: BNC Amazonas