Trump pode barrar Lula na ONU? Time brasileiro enfrenta incerteza em Nova York

Tensões diplomáticas e atrasos em vistos levantam dúvidas sobre a participação do Brasil na abertura da Assembleia-Geral da ONU.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 15/09/2025 às 18:59 | Atualizado em: 15/09/2025 às 18:59

O presidente Lula da Silva e sua comitiva chegam a Nova York com uma extensa agenda na conferência anual da ONU, 22 a 24 de setembro, mas o clima diplomático entre Brasília e Washington adiciona um componente inusitado: há risco de restrições à entrada de autoridades brasileiras nos Estados Unidos.

A possibilidade surgiu após declarações do governo Trump, que estuda novas retaliações contra o Brasil na esteira do julgamento e condenação de Bolsonaro. A Casa Branca, por meio do secretário de Estado, sinalizou que novas sanções e limitações de vistos podem atingir membros da cúpula do governo e até ministros do Supremo Tribunal Federal.

O peso do discurso de abertura

A situação ganha contornos ainda mais delicados porque, tradicionalmente, o Brasil abre a Assembleia-Geral da ONU. 

Caso Lula ou parte de sua comitiva sejam alvo de restrições, o episódio poderia gerar uma crise diplomática sem precedentes e colocar em xeque a neutralidade do território americano como sede das Nações Unidas.

Nos bastidores, diplomatas brasileiros manifestaram preocupação com o atraso na concessão de vistos a integrantes da delegação oficial. 

O Itamaraty já levou o caso ao comitê da ONU responsável pelas relações com o país-sede, mas até agora não houve garantia formal de que todos os pedidos serão atendidos.

Trump endurece o tom

Desde a condenação de Bolsonaro, Trump tem adotado um discurso cada vez mais duro contra o Brasil. 

Além de ameaçar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, o republicano insinuou que o país sul-americano estaria “perseguindo opositores políticos” e não descarta “medidas mais firmes” em resposta.

Na prática, isso pode incluir a revogação ou a suspensão de vistos diplomáticos, medida que já foi aplicada a autoridades de outros países em situações de tensão com Washington.

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Impactos diplomáticos

Analistas alertam que, se confirmada, qualquer restrição à comitiva presidencial brasileira criaria um incidente diplomático internacional, já que os EUA, como sede da ONU, têm obrigações específicas de garantir o acesso das delegações aos eventos oficiais.

Ainda assim, a simples ameaça já gera desconforto. Como lembrou um embaixador ouvido reservadamente, “o simbolismo de impedir o Brasil de abrir a Assembleia seria devastador para a imagem dos EUA”.

Cenários possíveis

Entrada normal (mais provável)

Os vistos são concedidos a todos os integrantes da delegação. O Brasil mantém a tradição de abrir a Assembleia-Geral da ONU e Lula cumpre a agenda completa em Nova York. Trump, no entanto, pode usar discursos e entrevistas para reforçar críticas ao governo brasileiro.

Atraso ou veto parcial

Parte da comitiva brasileira enfrenta atrasos ou negativas na emissão de vistos, afetando ministros ou assessores-chave. Lula discursaria na ONU, mas a ausência de figuras centrais seria interpretada como sinal de retaliação política.

Restrição ao presidente

O cenário mais crítico: se os EUA criarem obstáculos diretos para Lula, impedindo ou atrasando sua entrada. Isso abriria crise diplomática grave, com possível recurso imediato do Brasil ao Conselho de Segurança da ONU e questionamentos sobre a neutralidade de Nova York como sede da organização.

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Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República